Vou usar-te!

Vou usar-te, ok? Vou usar-te para os meus textos, para as minhas histórias, e até para os meus livros, se me apetecer. Vou usar-te porque és a minha fonte de inspiração. Vou usar-te porque há tanto em ti que me faz querer escrever, querer expressar emoções. Então, vou usar-te. Vou usar-te e, quiçá, amar-te. Mas não interessa. Preciso de uma presença assim na minha vida, uma presença emocional, eu sei. Não te peço que fiques fisicamente. Isso, amigo, podes ir, faz boa viagem. Eu sempre soube que irias, mais cedo ou mais tarde. Mas a minha sede insaciável de escrita vê em ti uma mais valia.

Então, escrevo-te desta vez para informar que irei escrever-te em muitas outras. Não queres? Não perguntei se querias. As palavras são minhas. Prometo proteger a tua identidade, mas não podes pedir-me mais que isso.

Irei escrever sobre ti, sobre as emoções que deixaste em mim, sobre os sentimentos que me fizeste nutrir por ti. Irei escrever sobre cada momento que partilhamos, sobre o toque das tuas mãos, sobre a textura dos teus lábios. Irei escrever sobre as memórias em que apareces. Ou talvez não escreva sobre nada disso. Talvez escreva apenas a pensar em ti, mas não necessariamente sobre ti.

De qualquer das formas, vou usar-te. Não da forma que me usaste. Vou usar-te nas minhas palavras, nas entrelinhas das minhas frases.

Vou usar-te, sem pedir autorização. Vou usar-te, muitas vezes, sem que saibas. Vou usar-te e isso vai aliviar o peso daquilo que criaste em mim. Vou usar-te quando estiver inspirada, triste ou frustrada. Sei que serás o motivo de algumas das minhas emoções e, por isso, vou usar-te. Vou usar-te numa medida desmedida de quem só na escrita é capaz de se reencontrar, de se satisfazer. Uso-te agora e vou usar-te de agora em diante.

Nunca te usarei como se fosses um mero objeto, mas sim como uma pessoa que és. Com todos os teus defeitos, também com as tuas qualidades, com as tuas palavras que foram, para mim, mais marcantes, com todos os teus sorrisos que me fizeram delirar, com todas as recordações que me ofereceste. Usar-te-ei desta forma porque de nenhuma outra seria justo para ambos. Percebes o que quero dizer quando digo que te vou usar? Vou mesmo, acredita.

Podes espernear por justificações, podes exigir que pare de te usar, ou podes simplesmente ignorar e continuar a viver como se eu não te estivesse a usar de uma forma desenfreada e intensa. Independentemente da forma como reajas ao meu uso de ti, eu vou continuar a usar-te. Incessantemente. Sabes porquê? Porque me marcaste de uma forma peculiar, impedindo o esquecimento de ti. Tão peculiar que és que isso só me pode fazer escrever. Não te sintas importante, és só mais uma paixão repentina e pseudo platónica. Vive bem com isso que eu também vivo e seremos os dois felizes, cada um na sua vida.

PORCátia Cardoso
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