Vou Morrendo…

É a nossa história, é a tua ausência, é esta saudade, é a distância, e as duras verdades.

São as palavras que ficaram por dizer e aquelas que não consegui calar.

É a solidão que abraço dia-a-dia e a dor que aperta no meu peito.

É a realidade dolorosa e os sonhos que se esvaíram.

É o amor sem medida dentro de mim e a indiferença no teu olhar.

São os meus erros e os meus tropeços na estrada dura e escarpada da vida.

São as minhas promessas de não voltar a falhar que não consegui cumprir.

É o medo de me magoar outra vez que sempre me impede de tentar.

É a força que tento demonstrar quando na verdade estou a desabar.

São os sorrisos forçados na frente dos amigos, e as lágrimas teimosas no silêncio da noite.

É a vontade de seguir em frente em busca da felicidade e saber que ela está passos atrás, é o medo de te perder, e o melancólico adeus que nunca foi dito.

São os espaços vazios que outrora tu preenchias.

É a música que te cantei e a banda sonora do nosso amor.

É o filme que nos marcou e que sempre me emociona.

São as fotografias que não tive coragem de queimar e as cartas que não canso de reler.

É o teu sorriso que me persegue em sonhos, é o teu rosto que vejo todas as manhas, quando acordo.

É o teu cheiro que ainda paira no ar e embriaga o meu coração, é o som dos teus passos entre a chuva que ainda posso escutar.

É tudo de ti e sobre ti, é tudo de nós e sobre nós.

Sou magoada, torturada, consumida, triturada, atormentada todos os dias pelas lembranças de um passado feliz que terminou, todavia, não me permite descansar em paz.

Longe de ti, eu vou morrendo um pouquinho todos os dias, mesmo assim eu amar-te-ia por mais mil anos.

PORLetícia Brito
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