Volto onde fui feliz, e espero por ti…

Perdi-me na praça a tentar  ver o que restava de nós. Se estávamos dentro de nós, ou se tínhamos deixado tudo naquela praça. Vejo-a todos os dias de forma diferente, desde o dia em que penso nela. Há dias em que passo por ela e não vejo nada nosso, os dias em que não trago nada teu, nos dias em que me tiras o sufoco e me dás a liberdade. Sinto a tua liberdade nas promessas que me entregaste, das quais sou apaixonada. Soube por alguém, que ainda és um apaixonado. Se calhar ainda vives naquela praça. Ainda te podia ver hoje, se quisesse.

A praça tem o passado das minhas lágrimas futuras. Deixei na praça, a pessoa que não trouxe comigo. Deixei-me a mim, junto à fonte. Onde hoje tenho receio de me aproximar. Muitos se deliciam no passeio entre a minha luz lunar e a tua luz solar. Aquele sítio não é local de encontros. É o lugar de olhar desencontrados, dos contratempos do mar. Pisámo-lo sabendo que já não voltaríamos lá. Por isso demos tudo, até compramos poemas para ler à fonte. Ofereci-te amor. Não tinha mais nada. Projectei o meu olhar no teu e nunca tinha dado atenção a este pano de fundo. Hoje não tenho fronteiras para o meu olhar. Quero deixar o meu olhar no chão, afastá-lo da fonte. Porque tu sempre me disseste que a vida caminha em traços sem retorno. Eu também não quero que os caminhos retomem, quero que seja um gesto dos tempos modernos e não uma cópia de tempos antigos. Quero-te pelo que me poderás dar hoje, por muito que seja melhor ou pior do que me deste.

É impressionante como damos tanto de nós. Dizia que não voltaríamos a ser concretos. Também nunca o fomos. Somos dotados de amores abstractos. Entre pincéis e lápis, entre esquadros e réguas sempre deixámos o inverno do tempo, aquecer-nos a alma. Somos sonhos pedestres. Somos a caminhada dos peregrinos. Regressamos à praça no egoísmo de querer justificações para este amor que brutalmente nos escreve, nos faz sonhar, nos cruza os caminhos até à praça. Nunca deixámos de ser românticos. O romance tem um lado nosso. O romance é uma das incertezas da vida. Dizias que a praça corria ao ritmo do que fomos. Acredito que ainda se sinta esse ritmo. Há uma praça que espera por nós. Há lugares incertos, nos locais certos da alma. Somos noivos do tempo, aqui mesmo. És a lágrima da respiração. Espero por ti para voltar à praça.

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