Volta…

Tu.

És tu.

Só tu.

Unicamente tu.

Tu que aos poucos deixaste de ser tu.

Tinhas tantos defeitos que me foi dado o dom de os amar a todos.

Às vezes doía o facto de eu os amar, mas e se não doesse?  Significaria que eu não era capaz de sentir e de amar? Estaria eu morta? O que é a vida se não formos capazes de amar o que mais odiamos na pessoa que tanto amamos?

Tu não és essa rapariga que demonstras ser. Eu vi, abracei e amei a rapariga que eras. A rapariga que me marcou e que foi embora sem algum tipo de aviso.

Ela foi e não voltou, e quando dei por mim estava a conhecer uma nova pessoa…Uma pessoa igual a ela por fora e completamente diferente por dentro.

Tenho tantas saudades da rapariga que eras. Se algum dia te cruzares com ela dizes-lhe que a amo e que a quero de volta? Diz-lhe que sinto falta dos defeitos dela, da maneira como me protegia, de como cuidava de mim, de como me ouvia, de como via o mundo, de como me escrevia coisas lindas e inesperadas, de como me fazia sentir segura, de como amparava as minhas quedas, de como me perdoava facilmente, de como confiava em mim, de como me abraçava e sobretudo de como me amava.

Agora tu. Tu que és a rapariga que voltou no lugar dela, a substitui-la. Tu que mataste a minha menina, consegues ressuscita-la? Nem que seja só por uns minutos. Tenho tanto para lhe dizer… Quero gritar com ela e perguntar porque me fez isto, porque deixou um vazio tão grande em mim. Quero perguntar-lhe se nunca pensou na tristeza e dor que me provocou ao ir-se embora, se ainda pensa em mim, se tem saudades minhas. Quero dizer-lhe olhos nos olhos que me deixou desamparada. Quero contar-lhe o quão difícil foi adaptar-me a esta mudança e a quantidade de erros que cometi à custa disso. Quero confessar-lhe que passado este tempo todo eu ainda não me adaptei completamente e que nunca me vou adaptar. Quero conseguir as respostas a todas as perguntas que fui acumulando com o passar do tempo.

Mas quero, mais que tudo, pedir-lhe que volte.

Da tua melhor amiga.

PELA WEB

Loading...