Você é a causa da minha insônia…

É de madrugada e eu ainda não fui dormir. Eu me reviro na cama, de um lado para o outro, troco a ordem dos travesseiros e brinco com os preguinhos da cama. Levanto, tomo uma água, penso em mil coisas mas não consigo deixar de pensar em você. Você é a causa da minha insônia. Dá aquele friozinho na barriga, o sorriso, HÁ o sorriso: Involuntário, inesperado é automático. Eu que nem quero sorrir. Não quero admitir que eu estou feliz, não quero parecer desesperada demais, exposta demais. Não quero me apegar para depois ter que te apagar. Mas eu não consigo.

De repente eu estou sorrindo, esperando o sol nascer porque eu sei que junto com o sol vem aquela sua mensagem de bom dia que eu nunca precisei pedir. Eu que sempre achei brega essas coisas do amor, pensava: “Comigo isso não acontece não”. E aqui estou eu, esperando. O coração falta sair pela boca. Confesso que eu ando me preparando para o dia que você esquecer. O que será de mim?

O problema é que eu não quero admitir. Já sofri demais. Amassaram feito papel meu coração, me fizeram segunda, terceira e última opção. Estou toda remendada, carente e sem voz. Mas o meu orgulho continua intacto. Eu sempre finjo que não me importo. Dou de ombros, meneio a cabeço e saio passando a impressão de que a vida continua. Mas estou perdida e só me encontro em você, perto de você.

Então venha me abraçar. Me enlaça no teu mundo e não me solta. Porque os olhos das pessoas que passam nas ruas não brilham, elas não sorriem. Não como você. Só caminham apressadas, os pés firmes. Como se sempre tivessem um destino, uma certeza, um caminho. Pessoas absolutas.

Já com você cada dia é uma história nova, uma rota nova, e eu amo não saber onde ir desde que seja com você.

Eu que estava acostumada a sair de fininho, pisar com a ponta dos pés, hoje você me chama de “meu bem” me pega pela mão e diz pra minha mãe lá na cozinha: “Estou emprestando sua filha já já eu te devolvo.” E minha mãe nos deixa ir. Eu tenho certeza que ela sorri, sorri porque sabe que agora eu estou feliz.

Eu que vivia pelos cantos lamentando hoje eu tenho você que não hesita em me dar o seu ombro E eu choro. Esperneio. E você me escuta. Não abre a boca até eu terminar e depois diz: “Já acabou?”

Eu confirmo com a cabeça e você começa a me contar várias histórias. Eu nem escuto direito mas eu vou me perdendo na sua voz.

Que me traz paz. Quanta paciência você tem tido comigo! Não sei se eu te mereço.

Eu entro no seu carro e você coloca a minha playlist favorita para tocar, nos escutamos a música e você a cada sinal vermelho passa as mãos pelos meus cabelos e me faz chorar.

Você nunca menciona o fato de eu ser tão sentimental.

Às vezes louca.

Às vezes vazia.

Mas você está comigo quando eu estou em silêncio.Eu sento e não te falo nada e nem você me pergunta. De repente eu te pego cochilando, um sono leve. E eu poderia te ver dormir para sempre. É a melhor lembrança sua que eu tenho. De quando você dorme.

Então eu vou deitar ao seu lado. Você passa os seus braços por cima dos meus e diz que me ama. Depois você acorda e me devolve.

Dói te ver ir embora mesmo sabendo que logo volta. Eu seguro o choro, aperto os braços em torno de mim e as vezes eu falo bem baixinho “eu também te amo”.

Mas eu acho que você já sabe. Sempre soube.

O seu cheiro está em todas as minhas roupas. É só eu abrir o guarda roupa que ele me invade, me provoca e me convida. Eu chego a sentar na cama para sentir melhor.

Por isso quando eu compro algo novo eu te chamo para sair. Para aquela roupa nova te conhecer e fazer companhia para as outras e para mim, que agora estou com a sua camiseta azul que eu me recuso a te devolver.

Minha mãe já perguntou de quem é, mas eu disse que não sei, que achei por aí.
Deixei subentendido. Como tudo que acontece entre nós. Ninguém sabe. Ninguém vê.
Mas eu sinto.

Sinto como se eu estivesse no lugar que eu deveria estar. Sinto que esse momento é tudo que eu tenho e procuro aproveitar cada segundo. Você me pede para cantar e eu canto a mesma música de sempre, a letra é triste e você sabe que não tem nada a ver com a gente, mesmo assim você não reclama e diz: “que lindo” quando eu acabo.

Fui feita para você.

Foi feito para mim.

Não do jeito que eu queria, mas do jeito que eu precisava. Às vezes eu fico tímida, às vezes eu sou levada demais. Você raramente me entende mas me compreende. Me chama de canto e diz: “precisamos conversar” de repente estamos conversando, mas não exatamente com palavras. Parece que no fim de todo dia é de você que eu preciso. E é você que eu quero. Tudo ficou calmo quando eu te deixar ficar, e você ficou. Não fugiu, não se assustou e não quis me transformar em alguém que eu não era. Me aceitou, relevou e completou.

Nunca me trouxe tristeza, só procurou me fazer sorrir. E na maioria das vezes conseguiu.
Me apresentou uma imensidão de livros e me indicou um zilhão de séries. E eu me apaixonei por todos eles, inclusive por você. Me apresentou a cada canto do seu canto e eu disse: “Muito prazer” e você disse que a partir daquele momento tudo mudou.

Faz inverno em mim o ano inteiro. Mas você é como o início da primavera. Em cada canto cinzento meu tem uma flor que você plantou. E continua plantando sem pressa para colher. Você veio com sua brisa leve levando para longe a minha dor, o meu rancor. Acalmou a tempestade dentro de mim. Vez ou outra ainda garoa, mas você é meu raio de sol.

Você é a calmaria.

Minha Paz.

Meu!

Just Mine.