Viver na expectativa

“Se um dia encontrares esta carta, só espero que não seja tarde de mais.  Não tenho coragem de dizer que te amo de outra forma, nem tão pouco sou capaz de te entregar esta carta. Vou guardá-la num lugar estratégico. Só espero que a leias antes que as minhas férias aqui terminem.

Antes de vir passar cá o Verão,  lembrava-me de ti como um miúdo super pequeno, que adorava estar sozinho a maior parte do tempo. Nunca imaginei que este ano, com 16 anos te visse de outra forma, afinal és meu primo.

Quando olhei para ti, vi um rapaz novo. Crescido, comunicativo, amigo, compreensivo, paciente, etc. Tudo o que os rapazes que conhecera até ao momento não eram. Passámos os dois meses juntos. Não falhámos um único dia. Foram as minha férias mais activas. Subimos árvores, mostraste-me a enorme casa que construíste na árvore sozinho, passeámos juntos às cinco da manhã, fizemos longas caminhadas pela floresta, nadámos juntos, adormecemos juntos no sofá a ver séries de TV, etc.  Passou tão rápido que até dói. E agora estou aqui a escrever-te esta carta, antes que voltes da cidade. Pode ser um amor de Verão, pode ser um amor de adolescentes, mas não quero saber.  É o que sinto neste momento, portanto, é o que conta.

Por um lado não me vou arrepender de não te dizer nada. Afinal de contas não deixas de ser meu primo e não deixa de ser cedo para este tipo de sentimento.  Talvez.  Por outro lado, quero que um dia estas palavras cheguem às tuas mãos.

Gosto bastante de ti.”


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