Vivemos numa era em que nada é dado como certo …

Vivemos numa era em que nada é dado como certo. Numa procura de um trabalho que nos acerte e onde também nós acertemos na medida certa. Num encontro de nós mesmos. Num acerto assertivo com os outros. Num abraço coletivo que nos acrescente e ultrapasse. Numa junção com os outros que de aperto nada tenha e sim, numa junção onde quem faz parte dela esteja predisposta a entrar e colaborar. Num caminho que se trilhe pelas mãos dos corações e dos afetos.

Talvez necessitemos todos de tanto. De um tanto que é tão pouco. De um tanto feito de pequenos gestos que juntos fazem jubilar por dentro tecendo um novo brilho no olhar.
Precisamos de estradas doces e coloridas. Leves e saborosas. Precisamos de pés que se moldem a caminhos mas também precisamos que sejam as estradas a moldarem-se aos pés.

Vivemos nesta era. Numa era dos para quês em vez dos porquês. Numa era que nos vira do avesso. Numa era de testes, de desafios e de superações. Vivemos nesta era mas outros também já antes haviam vivido assim. Aliás, sempre assim foi.

Em cada um, uma alma, um caminho feito por um corpo que veio em viagem. Um corpo que nasce e se renasce a cada novo momento em que se renova.

Existe em nós uma predominância de sentimentos que nos ultrapassam num jeito de sermos cada vez melhores. Numa sintonia com aquilo que somos e onde desejamos chegar. Ora envoltos numa energia que nos diz “é por aí, continua” ora noutras que nos fazem mudar de rumo.

Tiram-se cursos, trabalha-se na área, esquecem-se cursos, trabalha-se noutras áreas. Há esperas, há começos e recomeços. Independentemente seja na área profissional ou pessoal. Há disso aos molhos. Há certezas e incertezas, quando na verdade não há certezas de nada. Tudo gira, tudo flui. Tudo nos leva e tudo nos trás de volta aquilo que somos.

Nos olhares, um constante conjugar de céu azul que permaneça nas noites e nos dias. Um travo a algo bom que nos sacie esta vontade de ir mais longe e de tocar. De nos construirmos a cada minuto que constrói as horas.

Querem-se mais dias sim e menos dias não. Querem-se algumas garantias quando na verdade nada é dado como garantido.

Querem-se flores a nascer e quer-se água pura para as regar.