Vida Madrasta!

A vida, por vezes, é mesmo injusta, não é?

Principalmente quando leva de nós aqueles que mais amamos de uma forma repentina deixando para trás apenas um nó apertado no coração de tanta saudade e um infindável livro de memórias.

Cada um vê a vida como quer e melhor entende mas, por mais que saiba que é um fenómeno natural, para mim a vida é tremendamente injusta quando leva para longe aqueles que mais amámos, assim, do nada, sem pedir licença.

Crescemos a aprender a lidar com a morte, a lidar com a partida eterna daqueles que nos são mais queridos e, por mais que ao longo dos anos adquiramos aptidões para tal, morremos sem saber como o fazer na perfeição. Parece, simplesmente, impossível. Afinal de contas, se por vezes nos custa tanto perder um bem material com fácil substituição, como podemos nós não sofrer ao vermos fugir-nos por entre os dedos um ser amado insubstituível? Como podemos nós deixar de sofrer com a perda de alguém tão importante? A resposta é simples: não podemos!

É óbvio que ao longo do passar dos anos amadurecemos ao passar por as mais variadas circunstâncias na vida e vamos tentando ser o mais racionais possível nas situações de perda, mas nunca chegamos a ser totalmente racionais, não se trata de uma coisa, trata-se de um ser humano que partilhou a vida connosco, que nos amou e ensinou a amá-lo também, que faz parte de nós.

Imagino perder alguém como se fosse arrancar um pedaço de nós, mas tenho a certeza que dói ainda mais do que perder uma parte do corpo e nem imagino o quanto doloroso isso possa ser.

Mas a vida é assim mesmo e temos que aceitá-la como tal, há que aceitar o quotidiano, as felicidades e infelicidades, as perdas e tudo o que as envolve.

Devemos tentar retirar de todas as situações o maior ensinamento pois acredito que talvez assim as coisas menos boas se tornem mais fáceis de suportar, mesmo quando se trata da morte, e que façamos de tudo para que os momentos bons sejam sempre (re)lembrados e nos façam felizes pelo simples facto de terem existido, mesmo que não se possam voltar a repetir.