Vida de Desempregada…

Dizem que vida de desempregada é fácil, que só não trabalha quem não quer, mas não é assim, eu percebo que há muita gente que vive feliz da vida por não trabalhar e que a única preocupação deles é saber se as ditas “cunhas ainda funcionam”, ou se têm direito ou não aos subsídios, abonos e rendimentos da SS, mas comigo não é assim, eu não sou assim, sinto que falhei profissionalmente, que não sou uma boa profissional, sinto vergonha por estar desempregada, mas quero mesmo voltar a trabalhar, eu quero, procuro e faço por isso mas não encontro, não consigo, eu quero algo que me preencha o dia, que me realize, que me faça sentir útil em alguma coisa, mantenho me activa, e todos os dias luto por isso.

Ontem foi um dia, hoje foi mais outro dia, e tudo se resume ao mesmo procurar locais, perguntar se precisam de trabalhadores, pedir um carimbo e deixar mais uns quantos currículos por aí, procurar em vários sites da Internet, ir ao centro de emprego, associações empresariais algumas vezes e por poucas vezes ir a uma entrevista de emprego, mas é sempre a mesma coisa, ouve-se sempre a mesma coisa:” não precisamos de ninguém menina, é a crise”, “hoje não, passe daqui a uns tempos”, “precisamos de alguém com experiência, e você não experiência”, e isto faz-me uma confusão, como é que querem que uma pessoa tenha experiência se não lhe dão uma única oportunidade de mostrar que a pessoa quer mesmo trabalhar e que é capaz ou não de fazer aquilo.

Chegas a casa cansada, estafada e revoltada por não teres conseguido nada mais uma vez e acabas por ouvir os teus amigos e familiares a dizer: “deixa lá”, “vai passar”, és inteligente”, “não te preocupes”, mas pior é quando já começas a perder a esperança a ouvir “se precisares de alguma coisa, já sabes”, sei que não é por mal, que só me querem ajudar mas isso revolta e magoa tanto uma pessoa, não foi para isso que uma pessoa lutou e esperou toda a vida, não foi para isso que uma pessoa se esforçou tanto na escola e apostou tudo num curso, não foi mesmo para isso que os meus pais investiram tanto em mim, não é justo, não é justo para eles, muito menos para mim.

Há um sentimento/entendimento na sociedade de que os desempregados são uns desgraçados e, como tal, têm de ser uns pobres miseráveis que não servem para nada, mas eu não, não sou assim, não penso assim, não quero, recuso-me e nem acredito nisso, não me quero sentir culpa, nem sentir-me uma inútil, eu quero trabalhar, quero viver e não sobreviver, não quero esta vida, vida de desempregada não é para mim.

PORJoana G.Torres
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