Vês aquela constelação? Chamei-lhe amor!

Algo sempre me atrai de volta para ti, não és o príncipe loiro do meu conto de fadas, na verdade és o vilão.

Não era lógico a menina doce correr para os braços do príncipe com o sorriso encantador?

Não. Porque quando o conto é sobre mim, eu termino nos braços do vagabundo. Rendo-me aos teus encantos, e toda a gente sabe que não és encantado.

Escuto a minha família, escuto os meus amigos, escuto até a tua mãe “ele não presta” e pergunto-me, porque é que eles insistem em me advertir, se contigo já perdi todo o meu juízo. Não quero fugir, não quero afastar-te, não quero esbofetear-te. Quero prender-te na torre mais alta do castelo e fazer-te sofrer, enquanto escalo os pedregulhos para chegar até ti e desatar-te as correntes.

Desta vez a princesa abdica da coroa, como abdica sempre. E foge do reino, para cair nos braços do delinquente.

És extraordinariamente irresistível, não sei se são os olhos castanhos ou esse sorriso desafiador. Não sei se são as setas que carregas contigo ou esse teu feitio de quem sabe que não vale nada, mas está nem aí para o que os outros vão pensar.

Esta noite corri para as catacumbas onde nos conhecemos, prometi a mim que não o faria de novo, mas o meu anjo mau, sempre me distrai.

Com poucas palavras e um simples toque, secas as minhas lágrimas e posso ver novamente uma luz no fim do caminho, um vislumbre do paraíso, embora eu saiba que estou em péssima companhia.

Sinto-me sempre tão bem com as coisas mais erradas, e contigo, de mais, sempre acaba por nunca ser suficiente.

Não pode ser algo normal, pois em matéria de amor, sou perita em cometer com frequência os mesmos erros.

Eu só quero perder-me em ti, sabendo que amanha terás partido outra vez em busca de novos tesouros para assaltar.

Sabes o que é estúpido nisto, é que não há cego pior do que aquele que não quer ver.


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