De que vale olhar para o céu?

“Faz por esta altura três anos que nos conhecemos. Lembro-me como se fosse hoje, esse teu olhar meigo, a tua voz delicada, o sorriso encantador e a tua maneira de ser fez-me tremer por dentro, eras tu, soube-o no primeiro momento, eras tu.

Descobri contigo que amar é criar uma nova vida entre duas pessoas. Existia o eu, o tu, e criamos o nós que partiu no dia em que decidiste desistir de mim. Desistir de algo que não lotou, admito, mas que te amava de uma maneira diferente. Amava-te tanto que até me doía pensar nisso.

Hoje percebo que independentemente do que sinto, do que sentias, ou do que sentíamos, eu não sou nem nunca mais serei “eu”, depois desta tua partida. Queria tanto que o tempo voltasse atrás, não para mudar o que quer que fosse, mas para viver a mesma coisa duas vezes. Sem exigências, sem propostas, sem restrições e sem obrigações. Simplesmente te queria aqui, para que juntos voltássemos a conquistar o mundo.

A palavra desculpa não chega para demonstrar o quanto estou arrependido, de teres partido sem te poder dizer aquilo que a minha mente sempre reprimiu do meu coração. Perdi a mulher que mais me encantou na vida, perdi o meu lado racional. Perdi a minha terceira perna, perdi um dos “O´s” do meu O2, perdi aquilo que mais precioso tinha em mim.

Os últimos dias estão a destruir-me. Ainda não ganhei coragem para começar o luto. Mergulhei na esperança de teres ido comprar um maço de tabaco, como fazias tantas vezes quando me deixavas sozinho, e me surpreenderes com mais um animal que apanhaste perdido na rua.

Preciso desse teu abraço, preciso do teu aconchego, preciso de ti. De que me vale olhar para o céu se eu nem sei se é realmente ali que estás? Poderei eu amar-te noutra vida?

Com amor, Francisco.”

PORInês Castro
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