Uma ponte apenas se constrói se existirem duas margens…

Nunca sabemos aquilo que a vida nos reserva. Num minuto estamos rodeados de amigos, noutro sentimo-nos tão sozinhos que os olhos são encobertos por lágrimas. Lágrimas quentes que rolam por faces escaldantes em busca de conforto.

Guarda-me bem perto de ti, sempre perto, mesmo que eu não te veja ou tu não me fales, estarei ali, junto a ti, como o meu cheiro dentro da tua gaveta. Serei uma alma, um suspiro, um sorriso, uma festa na tua face e nos teus cabelos.

E a minha presença, certa e segura, junto ao teu coração, vai trazer-te de volta os sons das nossas conversas, o eco das nossas gargalhadas, a temperatura das nossas mãos entrelaçadas uma na outra, o sabor da minha boca na tua, o meu olhar dentro do teu, como se nunca tivesse partido.

Permito que o meu cotovelo deslize pelo parapeito da janela e que o meu olhar se perca na imensidão do céu, são momentos como esses que me permitem divagar.

Foi num desses momentos em que desejei poder partilhar o meu amor contigo, mas depois pensei melhor, ninguém caminha sozinho, uma ponte apenas se constrói se existirem duas margens, o rio só corre se a corrente o empurrar. Eu não sou mais que uma ponte inacabada, que um rio sem corrente, uma voz sem som.

Falta-me o teu desejo e o teu querer.

Falta-me uma parte de mim, parte que nunca poderei recuperar.

PORSofia Sousa
Partilhar é cuidar!

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