Uma metáfora da morte …com final feliz!

O amor definiu-me. Fechos os olhos e tudo em mim é amor, tudo são memórias, tudo são recordações. Fui amaldiçoado à nascença com este temperamento que me bloqueia as artérias, por momentos o oxigênio escasseia e o amor morre, mas o meu amor é uma fénix, morre e renasce com a mesma intensidade de segundos atrás.

Entrei num carrossel desconhecido e descobri que afinal o desconhecido é o meu abrigo, não pertenço a lado nenhum e ao mesmo tempo pertenço a todo o lado. Tenho o corpo preso e a mente liberta. Escalei os picos mais altos do carrossel e não me aguentei, entre em queda livre sem ponto de chegada, perdi o meu rumo e os meus sentimentos mergulharam nas trevas. Dominava-me a angústia, a tristeza e a vergonha, tinha vergonha daquilo que me tornei. Aprendi que realmente eu queria-te muito, mas na verdade nunca precisei de ti. Hoje encontrei a resposta – não preciso de ti, o amor deve acalmar e não fazer-me morrer como tu me fizeste.

Um segundo antes de morrer, a minha vida passou-me pela frente, pelo menos imaginei isso. Espero que seja verdade, espero que seja verdade todos os álbuns de fotos que passaram de cada segundo que vivi, para saber que realmente eu estive ali, que existiu, que eu vivi. Todos esses segundos repetidos ao longo de todas as minhas mortes serviram para me preparar, ninguém pensa que vai morrer, pelo menos acho que ninguém pensa. Aquele segundo é o tempo para dizer adeus, estou farto de dizer adeus, não quero este amor que morre e renasce, não quero este amor que me mata.

Deixei fluir. Deixar cair o pano da peça de teatro da vida e renasci eu mesmo, finalmente aquele amor que me matava está enterrado – por falar nisso amanhã irei trocar as flores secas pelo sol de Verão. Não perdi amor, hoje tenho aquele amor bom que corre nas veias, que acalma os meus batimentos cardíacos. E, mas do que tudo, não quero e não preciso ter de dizer adeus para este amor genuíno e puro.

Aquele vazio horrível foi embora, parei de chutar, gritar e tentar recuperar tudo. Só tenho de agradecer por ter ido embora, mas estou feliz por tê-lo conhecido e, sei que não quero lá voltar porque já tenho a recordação que me vai lembrar para sempre.

Não consigo mais chorar por aquele amor que me partia os ossos, porque hoje sorriu para o amor que me devolveu a felicidade. Parei de me humilhar, porque não é nada atraente.

O tempo é nosso melhor amigo. Temos muito pela frente, agora chegou a hora de colher os frutos bons da árvore do amor e ser feliz.

Quero-te pelas tuas brincadeiras e pela tua alma serena. Não quero apenas o teu corpo, quero também ser a tua alegria.

Fizeste-me sorrir pela primeira vez em muitos meses e isso fez tudo valer a pena.