Uma estupidez chamada Escola!

Tudo começa numa segunda-feira, o primeiro dia de aulas da semana. Ou melhor, tudo começa no domingo à noite. Que seca! Amanhã tenho aulas! Vá, toca a preparar a mochila para amanhã. Ai que seca, oh mãe, não quero ir à escola! Tens de ir e mais nada.

Que seca! – a expressão mais utilizada para descrever a escola.

Isto é mau. Muito mau.

É na escola que passamos a maior parte do nosso tempo e é uma seca. Como é que podemos passar a maior parte da nossa preciosa vida a apanhar uma seca?

Além de seca, é uma desilusão.

Acabamos a pré e estamos ansiosos que comece a primária. Hey, que fixe, em setembro já vou para a escolinha dos grandes! Passado uns dias, já não é assim tão fixe. As nossas expectativas rebolam por uma ribanceira abaixo e ficam lá estateladas. Tanto entusiasmo a comprar a mochila, os cadernos, o estojo e todo o material necessário para a escolinha dos grandes, para nada.

Fazem um reboliço enorme à volta do material escolar, o marketing fica todo contente e o paleio é todo muito bonito, mas o que querem é vender, vender, vender. Iludir os miúdos e obter dinheiro com a sua ingenuidade.

Todos arranjadinhos com o material que mais gostam, não interessa se a Joana prefere fazer desenhos, se o Tiago prefere correr, se o João quer saltar à corda e se a Maria quer dançar. Vão todos para dentro da sala, aprender matemática, português e estudo do meio. Quem quiser, tem direito a educação física, inglês e expressões. Só quem quiser. Como quem diz que não é assim tão importante.

Depois de passarem oito horas na escola, ainda levam um monte enorme de trabalhos de casa. Brincar? Estimular a autonomia e a criatividade? Deixá-los relaxar depois de um dia cansativo? Nada disso! Vamos é sentar os meninos direitinhos a fazer mais trabalhos chatos. E sem refilar!

Junta-se a isto o stress dos pais. Começa cada um a argumentar em sua justiça e é assim que criamos crianças infelizes, frustradas e presas.

O cenário é o mesmo todos os dias e toda a gente acha normal. Não se faz nada. É assim que tem de ser e porque é e porque é.

Os anos passam e a Escola é cada vez mais uma seca. Não interessa se estás a aprender, tens de ouvir, aceitar, engolir a matéria e depois vomitar nos testes. A partir daí, podes esquecê-la, ninguém quer saber. Os testes servem para destacar os “melhores” alunos e os “piores”. Como se algum teste fizesse de ti melhor ou pior.

Nem te atrevas a vir com teorias novas, esquemas completamente diferentes e ideias bizarras, tens de comer a matéria que te dão e ainda agradecer. Não é difícil – se não queres estudar, copias. E depois já podes gritar: “Hey, tirei ganda nota!” e o que ganhas com isso? Mais um bocadinho de estupidez. Deixa lá, o que importa é a nota. Tens de mostrar que ficas contente com as notas boas e triste com as notas más, se não as pessoas acham que és maluquinho.

Toda a gente sabe que os alunos copiam. Mas, já pensaram, que se o sistema de ensino fosse diferente e os alunos fizessem as provas com gosto e entusiasmo, já ninguém precisava de copiar?

Está tudo orientado para as notas. Para a média. Para sermos umas máquinas.

E tudo à pressa, tudo a correr. Pouco tempo para conversas, pouca disposição para entender o que, realmente, os alunos sentem.

Sentir? O que é isso?

No meio disto tudo, existe uma disciplina bastante interessante para alguns e odiada por outros: educação física. Muitos defendem que não deve contar para a média. Oh meus amigos, desculpem lá, é uma disciplina como as outras, exatamente com o meu grau de importância. Estraga-vos a média para o curso que querem? Temos pena. A matemática, a física e a química também estragam a vida a muita gente.

Na Escola, não interessa criar pessoas inteligentes, criativas, dinâmicas, humanas. Interessa obrigar, pressionar e, principalmente, não refletir. Tens de fazer porque sim, tens de saber porque sim. E porque sim.

O mundo ganhava muito mais se a escola permitisse que cada aluno explorasse o melhor de si e se a escola o motivasse e apoiasse nas suas escolhas e preferências, em vez de o obrigar a fazer trabalhos que nada têm a ver com ele. Estamos a perder grandes talentos. Estamos a desvalorizar as capacidades das pessoas.

Desta forma, a Escola mata a criatividade, destrói a auto-estima, fomenta a competitividade e a insensibilidade, valoriza a obediência e repugna a inteligência e a originalidade.

PORVânia Tavares
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