Um olhar que apaixonou…

Eu escrevo aqui porque não consigo expressar os meus verdadeiros sentimentos de outra forma.

Foi o amor, apoderou-se de mim. Não disse nada, mal me falou, mas bastou um olhar, um sorriso, a simpatia para nunca mais me esquecer daquele amor que me parece infinito mas persistente. Tão persistente que não me deixa entrar dentro dele, tão profundo que é complicado partilhá-lo com alguém, principalmente com ele próprio.

Descobri que enquanto estamos por perto nada dói, nada se sente, nada bate realmente no coração.

Quando a distância fala mais alto dá vontade de correr atrás, mas para quê correr atrás de um amor a quem nunca fomos capazes de dizer o que sentíamos. Agora procuro-o em todos os cantos, a cada virar de esquina. Acho que o procuro para saber se está bem, ou isso seja apenas uma desculpa para o tentar ver mais uma vez.

Ainda tento encontrá-lo, mas a maldita distância não deixa que o aviste. Tento encontrar os olhos castanhos no olhar de cada pessoa por que passo, mas não vale a pena, apenas aquele olhar meigo é capaz de satisfazer a minha procura e de me colocar um sorriso nos lábios o resto do dia.

O sorriso, esse é que me conquistou, sempre tímido e, ao mesmo tempo, contagiante. Foi ele que me prendeu, uma expressão simpática e relaxada, um sorriso espontâneo.

Talvez por vezes seja mau não revelar o que sentimos, porque isso fica guardado dentro de nós e não é libertado. Sofremos mais com o ficar calado do que com a sinceridade repentina que certas pessoas têm. Eu admito, não a tenho, mas acho que também não sofro no silêncio. Não sofro, porque tenho um amigo muito especial a quem conto tudo, para quem não tenho segredos. Nele sei que posso confiar. O papel e a caneta, os meus melhores amigos.