Um Homem chega a casa e…

Um Homem chega a casa e… Encontra o silêncio, companheiro de todas as horas, madrugador nato. Sombra de momentos felizes, calmos e sossegados e de momentos de alta-tensão.

Naquele lugar vazio, despido e desprovido de vida. Uma casa. O seu lugar. Entra e procura no peso das cores fortes de cada divisão, o outro pedaço de si, a meia-luz. Mas não há nada para o reconfortar, abraça-o apenas uma solidão triste, fria e desengonçada, a presença de todos os dias. Já está tão habituado que nem repara.

Cansado e desgastado depois de mais um dia de trabalho, senta-se na sala, sozinho, decide ficar a pensar. Uma banda sonora qualquer faz-se ouvir. Relaxa, descontrai, fecha os olhos para o mundo e adormece num sono profundo. Sonha e Sorri. Talvez esteja a sonhar com o que desejaria que fosse diferente. Uma mudança aqui, outra acolá, que o fazem estremecer durante o sono e que, quem sabe, não o ajudem a encontrar o pretérito perfeito da sua vida.

Um homem chega a casa e… Há um cheiro no ar, forte, intenso e adocicado. Já não ouve aquele silêncio ensurdecedor do costume, que deixa lentos os seus passos e carregada a expressão do seu rosto. Alguém o recebe de volta a casa, com um sorriso nos lábios e muito amor para dar, beijam-se, tocam-se e entreolham-se, ela abraça-o e trocam dialectos de ternura. Tudo muda, os espaços em branco do corpo daquele homem ficam completamente preenchidos e o seu coração quente e reconfortado. Alma nova.

A figura feminina ajuda-o a despir o casaco e encaminham-se para a sala. Música ambiente, romântica e calma, sorri, parece que conhece a melodia, é-lhe mesmo familiar. Jantar à luz das velas. Conversam e partilham-se com emoção. Deliciam-se com o aroma a rosas difundido pelo ar e com a mistura de sabores que lhes confundem os sentidos.

Enquanto se envolvem e dançam, juntos, corpo a corpo e olhos nos olhos, como um só. O vinho que balança nos copos que trazem na mão descreve em poucas palavras o que sentem um pelo outro. Vinho “Amo-te”, lê-se na garrafa.

A noite prolonga-se numa intensidade que parece não querer abrandar. De repente, o homem acorda, ao seu lado está a mesma figura feminina do sonho, a mesa está posta, a melodia continua a tocar baixinho.

Sonho ou pura realidade?!

Há coisas difíceis de explicar.

FONTEAna
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