Um dia tive um amor que acabou…

Um dia tive um amor que acabou.
O meu coração disparou tanto que achei que o meu peito não o fosse suportar lá dentro.
As lágrimas criavam-me uma camada salgada no rosto, até já não conseguir chorar. Aí, deitava-me, o mais enrolada possível, a sentir-me a mais miserável das mulheres, e a querer estar só ali.

Assim.
Quieta.
Odiei o meu cérebro por não parar de me torturar com pensamentos. Imaginações. Desejos personificados.
Não ouvi música (e só eu sei o quanto isso é bater no fundo) só para me aguentar de pé. Não via televisão, não fosse alguma coisa me magoar ainda mais e me deitar abaixo.
Subi cada degrau muito devagar e com muita precaução.
Li muito. Ler não doía. E foi assim que aprendi a calar o estupido cérebro barulhento.

Há uns dias em que acordas e dói um bocadinho menos. Só um bocadinho.
Noutros, as tuas pernas já não tremem tanto perante a dor imposta pelo nascer o dia. Nesse dia já consegues, assim na loucura, ligar apenas a televisão.
Depois, há a noite em que os teus pés já não gelam á noite.
E durante estes dias, tu provas o verdadeiro gosto das coisas. O verdadeiro prazer de ter os pés quentes sem gritarem por ele. O verdadeiro prazer de voltar a ouvir música.
O verdadeiro amigo que o livro é…

Só quando te recomeças a recompor, te apercebes que ficaste paralisada de medo. Foi desgosto. Foi desilusão. Mas foi essencialmente medo.
Ele foi-se e levou com ele aquela parte que te pertencia. Aquela parte que lhe deste propositadamente.

Já não sabias ser tu sem ele.

Bem, é agora que vais recomeçar, te reconhecer, e acredito, te amar mais ainda que antes.

É impossível não conseguir.

Desculpem os românticos, mas (in)felizmente, o tempo cura absolutamente tudo, e o amor, esse, só sobrevive se for bem alimentado.

PORPatrícia Bello
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