Um dia disseste-me para ser feliz!

Lembro-me como se fosse hoje: do dia em que cruzaste o teu olhar com o meu e me disseste para seguir em frente e ser feliz. Depois de soltares a sentença do nosso futuro, virei-te as costas, com as emoções perdidas no tempo. Destroçada, sem palavras, desiludida: magoada. Custava-me já não haver nada para recordar, só queria que o corpo reagisse à mesma velocidade que o pensamento. Queria tentar ocultar as lágrimas: esquecer(-te). Prender-te. E editar perder-te.

Senti-te como um sopro agreste e agridoce. Tocaste-me no infinito e aquele indesejado arrepio fez-se sentir: invisível para ti; mas visível para o mundo e indivisível para mim: sentia o coração desfeito em mil pedaços, sentia a alma pesada em permanente desconstrução, sentia que me faltavam as forças. Sentia que me fazias falta. Sentia o vazio de ti a invadir-me a cada segundo que passava. Voltei-me..

“- Desculpa. Mas tens que seguir em frente. Tu mereces isso, melhor do que ninguém”, disseste-me tu de ar calmo, voz serena, sorriso nos lábios e olhar penetrante, acariciando tímida e levemente o meu rosto. Senti que não querias fazer aquilo; mas que havia algum motivo que te levava a fazê-lo, só não sabia qual e isso deixava-me desorientada, triste. Sem rumo.

Não fui capaz de argumentar, que mais poderia dizer? De estado de alma indecifrável e intransponível, sussurrei que não podia – de maneira alguma – seguir em frente sem ti. Que ainda estava a aprender devagarinho contigo o verdadeiro significado e sentido de se ser feliz. Que a felicidade de alguém não se ergue sem um bom pedaço de amor, que para mim esse pedaço de amor era ele, que o meu amor só se construía com ele por perto.

Numa fracção de segundo percebi que te tinha desarmado, que não te poderia deixar partir sem o reflexo do que penso e sinto: abraçaste-me e disseste-me que sabias que eu iria encontrar alguém que me amasse na medida desse mesmo amor que eu sentia. Mas que esse alguém já não eras tu. Se me sentia revoltada, desolada e triste; do nada sosseguei. Foste sincero na mesma intensidade do aconchego daquele último abraço – talvez -: uma sinceridade tão pura, honesta e verdadeira que se a alguns pode magoar, em mim acalmava-me o meu desassossego.

Olhaste-me, como quem olha uma estrela: um caminho e soubeste embalar-me num sólido momento sem rumo; mas com alguns pequenos trilhos já desenhados. E despediste-te com um simples e singelo: cuida-te.

Será que cuidarmos – mesmo à distância – de quem mais gostamos é a melhor forma de sermos felizes?

PORAna Ribeiro
FONTEEscreviver
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