Sou Um Caos Bonito!

Tenho trinta anos, mas ninguém o diria ao ver-me sorrir, modéstia à parte, tenho um rosto bonito, uma boa aparência, quem não me conhece diria que estou na casa dos vinte, quem me conhece sabe que sou um caos, um caos bonito, porém ainda assim, um caos.

Sinto-me triste, mesmo quando todos me dizem que tenho tudo o que preciso para ser feliz. Na minha mente ainda me pergunto, o que há de errado comigo? Porque as pessoas se afastam? Porque fico sozinha?

Nunca tive grandes amizades, apesar da minha popularidade, do meu carisma. Sempre conheci muita gente, mas nunca pode chamar alguém de amigo.

Tive um namorado que devastou a minha vida, após quatro anos ao lado dele, a dar-lhe amor, a sacrificar-me pela sua felicidade, ele fez as malas e foi embora, até o número de telemóvel mudou. Simplesmente foi-se. Estás a ver aquela borboleta que pousa no teu ombro e tem uma beleza fascinante, mas quando te preparas para lhe tocar, ela voa? Ele voou da minha vida tal como essa borboleta.

Não tinha foco em nada além dele e do meu trabalho, então entrei em “parafuso”, não considerava depressão porque achava-me uma pessoa ocupada de mais para sofrer com isso. Ele foi embora e como qualquer outra mulher na minha situação, rumava a casa dele todos os dias após o trabalho na esperança de resolver algo que estava quebrado, até que a família dele, começou a olhar-me com outros olhos e se antes era bem recebida, depois fui chutada como um cão vadio.

Os relacionamentos são bastante engraçados nesse aspeto, quando um vai embora, quem fica é quem sofre mais. E cada um tem uma versão diferente para contar, a princesinha torna-se vila, o mauzão da história revela-se o mártir.

Fui emagrecendo a olhos vistos e sempre evitando ser consultada por um especialista. Outra coisa engraçada, neste caso, sobre a vida. Quando estamos doentes, ganhamos uma fobia aguda a médicos, talvez porque é mais simples fugir do que admitir que algo não está bem.

Cheguei ao cumulo de fazer análises médicas de 15 em 15 dias e de tomar 16 comprimidos, 8 deles cortisona, inchei de tal forma, que parecia um bicho, até que finalmente me detetaram a tiróide, dos males o menor, poderia ter sido uma depressão e eu era ocupada de mais para sofrer com isso.

Mas então fui despedida, contenção de despesas, a loja fechou. Descalabro total. Perdi o chão. Conheci alguém após um ano e meio sozinha, mas aí a minha cabeça explodiu, ele era oito anos mais novo, não me correspondeu da mesma forma, mas era um profissional no engate, e soube iludir-me tão bem, que até hoje estou de cabeça explodida por causa de um garoto.

Ao invés de um relacionamento sério, ganhei sexo casual. Não me chamem vadia depois disto, mas o raio do miúdo, aldrabou-me. E muito melhor que aqueles chatos da MEO que ligam cá para casa a toda a hora a quererem oferecer mais isto e aquilo.

Continuo desempregada e sozinha. Tenho de enfrentar o tribunal umas quantas vezes para ajudar a minha mãe que foi vitima de violência doméstica por parte do homem a quem um dia chamei de pai. Já passei por um psicólogo mas não vi efeito nenhum e hoje em dia, mal sobra dinheiro para comer, quanto mais para gastar com isto.

A pior parte de estar psicologicamente doente é quando nos apercebemos de que não temos amigos, não temos com quem sair para nos divertirmos um pouco e desabafar e então precisamos de pagar a alguém para nos ouvir. É triste.

Penso frequentemente em suicídio, mas sou tão lesma que nem coragem tenho para consumar o ato. Talvez esteja destinada a sofrer ou talvez seja este o plano de Deus para mim, talvez adiante ele me dará algo que valha a pena e que me faça perceber que toda a dor teve valor.

A minha história não é bonita, não é incrível, não vai mudar o mundo, nem mudar a minha dor. Mas sinceramente espero que mude a vida de alguém, já que eu não consigo encontrar a felicidade, que muitos a consigam ao ler isto.

Pensei que fosse chorar ao enviar-te esta mensagem, mas nem uma lágrima caiu ao escreve-la. O pior estágio da dor, é quando já não consegues sentir nada.

PORLetícia Brito
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