Um amor inflexível…

Destino onde estás tu? O que foi feito da tua justiça? Daquilo que plantaste no meu caminho? Mas se não era para mim, porque me deixaste iludir com aquilo tudo?

É duro de compreender. Era primavera, estava uma noite agradável, não muito quente. Eu estava feliz, vivia à vários meses no meu mundo, longe de tudo, vivia apenas para mim. Mas naquela noite algo mudou, aquilo em que eu deixei de acreditar à alguns meses atrás, voltou-se contra mim e fez-me cair mais uma vez nas suas armadilhas.

Pensei: Estarei eu novamente apaixonada?

O momento até ter a certeza que estava foi curto demais, talvez tão curto quanto a minha resposta à pergunta feita, sim. O “sim” que mudou a minha vida durante um longo período de tempo. (…) A partir desse dia, comecei a chamar alguém novamente de “amor”, a tratar a outra pessoa como se de mim se tratasse, comecei a pôr as necessidades dela à frente das minhas, a viver em partilha constante e a sorrir quando ouvia (mesmo que de longe) o som da sua voz.

Foi intenso, vivido a dois, a tempo inteiro, longas aventuras, gargalhadas que soavam a felicidade, a conquista, a vitória. Nada mais faria sentido, aquele dia passou a ser o meu número da sorte, pois carregava com ele algo que me transmitia uma imensa paz interior e uma felicidade nunca antes sentida. O sorriso dele passou a ser o meu também, as dores dele eram em parte sentidas por mim como se fossem minhas, qualquer lugar parecia vazio quando eu não o tinha por perto. Nasceu assim uma dependência não só física mas em parte muito psicológica. As coisas mais divertidas não tinham interesse sem a presença dele, pelo contrário, as monótonas ganhavam vida assim que sentia aquela mão no meu cabelo. Talvez tivesse vivido durante longos meses, a essência de um amor verdadeiro.

(…) Meses depois aqui estou eu, a perguntar se haverá destino capaz de explicar o porque de tudo isto, pergunto-me várias vezes, se não era para ser meu porque foi o destino capaz de me iludir a tal ponto? Porque terá sido ele capaz de me fazer ser dependente de um ser humano para ser feliz? Valerá assim tanto a pena querer alguém a ponto de deixar de nos querermos a nós próprios?

Como disse, mais tarde e com alguma ironia, percebi que não. O mesmo que me deu a oportunidade de um amor sincero, tirou-mo tempos depois.

Ao inicio não percebi porque, achei injusto, achei que Deus não estava a ser correto. Que eu tinha dado tudo de mim por isto, que eu tinha abraçado este sonho como se fosse a última coisa que faria cá na terra. Mas percebi, talvez tarde mas percebi que nada é em vão. Aquilo pelo qual eu achava que valia a pena lutar estava a ser vivido apenas por mim. Foi duro, doeu bastante. Mais do que aquilo que devia talvez, mas algo se tornou evidente para mim … “Nada é em vão”, talvez tivesse eu precisado de errar para perceber que às vezes vivemos ao lado de alguém que não nos dá o valor que merecemos, foi preciso eu errar a ponto de perceber que quando eu mais precisei de um apoio, de um abraço, eu não o tive. Não tive nem direito a uma simples conversa que esclarecesse as minhas razões e os meus motivos. Foi tudo muito rápido, não deu tempo para eu me “desapegar”, lutei até que as minhas forças me empurrassem para o abismo. Foi aí que se fez luz dentro de mim… Algo bem lá de longe me fez perceber que tipo de amor seria aquele ? Um amor em que só um de nós amaria ? Um amor que não perdoa nada ? Um amor inflexível ? Que amor verdadeiro é assim tão inflexível ? Percebi então mais tarde, não há amor verdadeiro que não perdoe. Não há amor verdadeiro que não resista a tudo, repito, amor verdadeiro. Esse foi o sentimento que dominou a minha vida durante todo aquele tempo já referido, ouvi, amei, chorei, perdoei, lutei. (…)

Hoje vivo bem, vivo feliz. Aprendi a deixar tudo para trás e agarrar-me apenas aquilo que me leva para a frente, às vezes ainda me veem lembranças a memória, ao invés de chorar (pois as minhas lágrimas secaram) sorrio, porque não apaguei o que de bom vivi, transformei-o apenas em uma boa lição para levantar a cabeça e sorrir. O passado é passado, e o futuro é aquilo que fazemos dele. Só nós podemos construir a nossa história.

A vida deu-me boas armas para ser forte, e a minha vida não poderia estar melhor. Mas para quê culpar o destino ? Mais tarde percebemos o motivo das coisas serem assim e não serem de outra forma. Será que o destino me fez um favor ? A vida é para ser vivida, temos tão pouco tempo para concretizar os nossos sonhos.

Hoje pode ser um bom dia para agarrares uma nova oportunidade de seres feliz, serás tu capaz de a perder ou preferes lutar por ela ?

Vive a vida, afinal de contas não tens nada a perder :)