Ultima vez, eu juro!

Não deu tempo de arrumar a casa ou preparar o coração. Sequer vesti meu melhor sorriso. Você me teve como algo tão natural, conquistou rapidamente minha confiança, e claro, roubou meu coração sem pedir permissão. Entrou na minha vida e bagunçou tudo. Não havia mais norte, sul, leste e oeste. Havia apenas uma direção: você. Segurou minha mão e eu… fui. Você me conquistou, como jamais esperava ser conquistado novamente.

Por você cruzei meus dedos, fechei os olhos e pedi para que dessa vez desse certo. Confiei em você. Entreguei nas tuas mãos essa colcha de retalhos que é meu coração. Pedi para que não reparasse nele, pois os desamores do passado castigaram esse apaixonado incorrigível. Que de tanto somar desilusões cansou. Percebeu que amar por dois é cansativo e doloroso. E, acumulando desamores, desacreditamos que, em algum dia, não importa quão distante for, encontraremos alguém. Até você aparecer e mudar algumas certezas de lugar.

Era melhor não ter aparecido. Era melhor eu não ter criado expectativa em nós dois. Fantasiado um futuro. De uma hora para outra, como num passe de mágica, você se revelou – suspeito que esse truque sempre esteve a minha frente, eu optei em vendar meus olhos pra realidade e me iludir, criando esperança em algo que não existia. Em pouco tempo a sinceridade que me encantava no teu sorriso descortinou um passado repleto de mentiras e omissões. De promessas que não eram nossas. O porto seguro que encontrei nos teus olhos castanhos logo se transformou num revolto mar que em breve eu naufragaria. Naufraguei.

Você me fez acreditar que eu estava voando, quando na verdade eu estava caindo.

O problema não é você. O problema sou eu que insisto em depositar o que tenho de mais precioso em mãos desastrosas. De encontrar o amor da minha vida a cada esquina. Ao acreditar que minha próxima relação resultará em final feliz.

Prometo nunca mais me apaixonar…

– Olha aquele sorriso!

É a ultima vez, eu juro.


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