Turbilhão

Por trás dos olhos vidrados, frios e sem alma, escondia-se uma veneração desmesurada.

Era um amante puro, dizia-se uma quimera, um clássico na atualidade.
Aquela cabeça, que turbilhão! Um alvoroço de pensamentos cruéis para a sanidade de qualquer pessoa.

Todos os dias acordava sob tamanho desalento, angustiado pela falta rumo na vida e incompreensão.

Era inevitável tentar agradar todos, refugiar-se no prazer dos outros com medo dos seus próprios desejos.

Abrindo portas, dando o outro lado da face, oferecendo falsa felicidade, intoxicava-se dedicando o tempo limitado de uma vida e menosprezando o amor próprio.

A casa desorganizada e vazia emocionalmente, transpirando solidão, suplicava por uma presença feminil que voltasse a encher de vida aquela alma penada que resignara o compromisso da felicidade por um limbo.

A procura pela paixão tornara-se obsessiva, idolatrando todos os espíritos, procurando o desejo onde era impossível.

O entusiasmo gerava inconscientemente ilusões, e assim uma entrega ininterrupta de tempo.

Mais que um amor, era um desejo de partilhar prazer e dar um significado à felicidade.

A paixão era sincera, só o amor não era correspondido.

PORRafael Barata
Partilhar é cuidar!

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