Tudo teve, nada restou…

Faz já algum tempo que não escrevo. Hoje falta-me a criatividade na escrita, as palavras encontraram uma barreira mental que incapacita-as de fluírem como deviam. Surge tudo na cabeça, os mais diversos assuntos porém de repente um grande nada. Curiosamente assemelha-se a filosofia de vida incutida no ser humano.

Temos de trabalhar para ter tudo o que queremos, temos de alcançar todos os objetivos surgidos que alguém nos impôs. E que serve isso? Não nego, trabalhar é das melhores coisas do mundo, ganhar o dinheiro ao final do mês é uma compensação que nem sempre é justa mas é na mesma uma maneira de compensar o mês que se passou a trabalhar. O mês em que não estivemos no aniversário do nosso filho porque o patrão queria um relatório completo, os jantares a luz das velas que se trocaram pelos jantares numa mesa redonda cheia de engravatados a discutir estratégias para conseguir aquele contrato que vai enriquecer o bolso do chefe. Os domingos em família que rapidamente passaram a discussão por nunca estares presente. As horas perdidas em advogados porque o trabalho é mais importante do que tentar salvar o casamento outrora perdido. Boa, doravante terás todo o tempo do mundo para receberes o teu doce dinheiro na amarga reviravolta que a tua vida deu. Compensou-te? Valeu a pena? Um dia irei saber, mas agora estou aqui no teu funeral, somente eu e o padre porque trabalhaste tanto e acabou em nada.

Eu avisei tantas vezes, tentei persuadir-te. Mas até a mim ignoraste, e infelizmente não consegui deixar-te sozinho. Gostava que tu e o resto das pessoas me ouvissem mais. Pensa nisso. Até um dia.. Assinado, Consciência de quem trabalhou para ter tudo e acabou por não ter nada.