Tudo o que me deste foi silêncio…

Silêncio. Tudo o que me deste foi silêncio. E eu fiz do teu silêncio o meu. Retribui.
Deixei o silêncio vingar quando as atitudes e as palavras já não eram por si só suficientes.
E o que é o silêncio senão a ausência? A tua ausência. A ausência de palavras e atitudes. Mas, e o teu silêncio? Esse interpretei-o como a ausência de sentimento!

O silêncio é uma máscara. uma máscara que não deixa ver o que está para além do óbvio. O silêncio é uma máscara para a indiferença e incerteza. O silêncio é o refúgio dos covardes e a fortaleza dos audazes.

Eu considero-te covarde. Covarde por silenciares a verdade, por fugires de dar uma certeza ou uma explicação. O que vem comprovar a tua indiferença.
Mas eu fiz exatamente o mesmo. silenciei a verdade. Também serei covarde por isso? talvez não.

Não fui eu que procurei o silêncio como fuga. Eu simplesmente aceitei-o. Aceitei o silêncio que me deste. considero-me audaz por isso, porque por mais que o teu silêncio me doe-se, deixei-o permanecer.

Permaneceu para que eu me pudesse tornar mais forte. quase que fraquejei perante o teu silêncio tão doloroso! mas à medida que o tempo foi passando, fui aprendendo a combate-lo.

O tempo ensinou-me a combater o silêncio. Acostumei-me com ele. Fiz do silêncio a minha fortaleza. Cada dia que passava, a sofrer com o teu silêncio, foi como uma pedra que ajudou a construir a muralha dessa fortaleza.
O teu silêncio construiu a minha armada.