Tu não serás o meu sempre

Sentir a nossa mente renovada é o melhor que pode existir, o pior é temer que um dia tudo volte ao antigamente. É nosso dever fazer com que isso não aconteça.

Durante muitos anos fui uma pessoa que pratiquei exercício físico. Tendo eu tendência para engordar, durante muito tempo consegui manter um peso razoável. Ao descobrir o descontrolo da minha tiróide (hipo), ainda bem no inicio, e ao engravidar, eis que me vi com uns bons quilos a mais. Quem me conhece olha para mim e diz “Ah…da forma como falaste pensei que estavas pior”, se é para me confortar ou não, não sei, mas sei que não me sinto, de todo, bem assim. É como se já não me sentisse mais eu mesma. Passei de uma vida activa, para uma vida escassa em actividade física (zero, completamente).

Foram inúmeras as vezes que tentei mudar de hábitos. Nunca fui de comer porcarias, até resisto bem a elas, o meu problema é comer pouco e mal (relativamente a horas). Para além de literalmente me esquecer de beber água (erro crucial!). Quando engravidei, apesar de comer de forma saudável por causa do bebé, não me privei de vontades e até engordei menos do que estava à espera, tendo em conta a minha tendência. Mas o pior foi depois. Depois que o Rafael nasceu, devido ao tempo ocupado pela novidade e tudo o que envolve, comecei a engordar sem ter noção. Quando dei por mim comecei a odiar a minha aparência, deixei de ter praticamente vontade de me arranjar como antes para sair à rua, deixei de achar que valia a pena. Como se no momento ser mãe fosse a única coisa à qual eu tivesse direito. A mulher que havia em mim, com vontades próprias, desejos, ambições, gostos, ficou para trás. E isso é que estava a corroer-me por dentro, e não o facto de ter mudado, ao contrário do que eu pensava. Perdi até vontade de ter motivação para mudar.

À pouco tempo algo em mim mudou. Não sei explicar o quê ao certo. Tentei explicar ao meu marido o quê, mas também não consegui. Uma motivação surgiu, vinda de algum lado. Não estou preocupada em saber de onde, estou contente simplesmente por ela ter surgido e vou aproveitar. A vontade voltou, o desejo voltou, a mulher voltou. Se primeiro não estivermos cá para nós, não iremos estar para mais ninguém, e eu tenho quem goste de mim e esteja cá para mim. Eu preciso estar cá para os meus também. Quando digo estar, quero dizer feliz e disposta.

Praticar exercício faz bem a tudo, incluindo felicidade e disposição. Faz bem para efectivamente nos sentirmos vivos. Eu escolho dizer ao meu corpo do agora: “Tu não serás o meu sempre!”.