Três da manhã e uma Playlist…

Aquela sensação de impotência – algo que não depende de nós. O medo constante de errar, ou de talvez nem se querer tentar, imaginando à partida, o desfecho de todo e qualquer final que se desconhece –  que se desconhece porque simplesmente, nunca se tentou.

Não fales – eu entendo – fecha os olhos e deixa-te ir, sem medo,  sem quês nem porquês.~
Existem poucas certezas na nossa vida – uma delas é que nada nos está garantido- é um tudo ou nada – um 8 ou 80, onde tu rebentas com qualquer escala. E quando tudo parece calmo e estável, apareces tu, muito devagarinho, sem eu dar por nada. Gestos simples e bonitos, sorrisos tão transparentes quanto os teus olhos brilhantes –  naquele momento em que tudo conta e eu me vou perdendo na pausa de cada beijo teu.

Os dias passam ao som de uma Playlist que me relembra tudo em ti, cada canto do teu quarto ou cada passeio de carro. 1…2…3… – Fecho os olhos e volto a sentir tudo – só te desejo – É um desejo tão forte! É um querer tão grande e que me faz madrugar e aguardar a hora certa para te ter, em segredo- – num escuro tão grande que apenas se sentem as mãos que percorrem os corpos de uma maneira quente. Muito quente.

Peço-te para me saíres da cabeça – por favor. Pára de me causar tais arritmias –  de me deixar nervosa!

Digo-te ao ouvido para ficares no momento que eu sei que me estás a escapar –  Porque não podemos ficar. Olhas para mim e percebo que é a única solução – não é a única , mas a mais correcta ( um correcto muito vago).

Entras pela porta –  o meu coração dispara – cabeça para baixo –  olhos no chão.  Dou por mim, bloqueada e a olhar para ti, sem medo do que existe à volta – fixo-te o olhar e apago o mundo que nos afasta –  por medo.

São os tais sorrisos discretos e os olhos carregados de sentimentos que te salvam que um raiva em mim – a raiva de te puxar pelo camisola e te encostar à parede mais próxima. Dois pescoços – Duas bocas – Quatro mãos – toda uma perda de noção do real e dos limites estupidamente estabelecidos por nós.

Passa mais um dia – São 2h30 –  O tempo não passa. – São 3h – e rapidamente olho para o relógio e já são 6h – Não quero ir embora. Peço para não ires embora. É inevitável. Quero ter-te por perto. Só mais uma vez – duas ou três. Fica.