Toquei-me…

Toquei-me. Toquei-me e nem um arrepio senti. Toquei-me como antes me tocava. Mas antes tinha no pensamento aquelas noites em que eram as tuas mãos que passeavam o meu corpo. Aquelas noites em que me despias com os olhos e, depois, com a boca. Aquelas noites em que eu era toda tua. Aquelas noites em que me chamavas de nomes que me faziam gemer de prazer. Dizias que amavas ouvir-me gemer e que isso te fazia ter ainda mais prazer. Aquelas noites em que me arrepiava só de ouvir o teu respirar junto do meu ouvido.

O que eu não dava por mais uma noite como essa. Nem que fosse só mais uma noite. Uma despedida dos tempos em que éramos um só. Não é que eu queira uma despedida, mas uma última noite, manhã ou tarde – isso nunca foi problema para nós. Talvez fosse o suficiente para nunca mais quereres sair de mim. Ou não. Sempre te dei tudo aquilo que querias. Sempre fui para ti a p*ta que querias que eu fosse. Ou a santa que, às vezes, te apetecia controlar.

Sempre dei tudo de mim para que eu fosse a mulher que nunca irias deixar. Que nunca irias trocar. E, por isso, dava-te tudo o que querias. Tocava-me para ti. O teu olhar de desejo e a tua boca a pedir o meu corpo, provocava-me arrepios por todos os cantos e recantos da minha pele, demonstrando o meu apetite pela tua. E tínhamos, ambos, uma fome incontrolável um pelo outro. Uma fome que me fazia gritar de prazer quando me penetravas. Uma fome que te fazia rugir quando te vinhas dentro de mim.

Toquei-me. Toquei-me e nem um arrepio senti. Já não estás nos meus pensamentos, porque sei que, nos teus, está outra mulher. Outra mulher que, muito provavelmente, está a ser f*dida por ti, neste momento. Outra mulher que te vai dar tudo aquilo que eu sempre te dei, porque tu tens esse efeito em nós. A pouco e pouco, vais conseguindo aquilo que queres. E, no fundo, espero que ela também queira. Espero que se entreguem um ao outro como eu me entreguei a ti. Como me deixei ser dominada sempre que precisavas de descarregar a fúria de mais um dia de trabalho. E eu gostava, sabias? Gostava que pegasses em mim, me puxasses os cabelos e me desses palmadas valentes no rabo. Gostava que me penetrasses com toda essa tua vontade de me possuir. Gostava de te dar o prazer de te vires dentro de mim, na minha boca, nas minhas mamas. Gostava de ver a tua cara de sacana. Não sei, dava-me prazer. E, tem dias, que ainda te sinto.

Enquanto estou aqui a lamentar a tua perda, estás tu entretido com outra mulher. A dar-lhe prazer. E ela a ti. A serem um só. A serem um casal feliz como nós, um dia, também fomos.

Toquei-me. Toquei-me e nem um arrepio senti. Toquei-me como antes me tocava. Mas agora, já não tenho o teu olhar de desejo nem a tua boca a pedir o meu corpo. Agora, sou só eu e os meus dedos. E isso não me chega. Faltas-me tu para me fazer implorar por mais.

O que eu não dava por mais uma noite. Bastava uma. Bastava mais uma noite para me ouvires a gemer, bem alto, uma última vez. Para sentires o meu respirar, no teu ouvido, uma última vez. Para veres como me toco, sem qualquer vergonha, uma última vez. E para perceberes, de uma vez por todas, que nunca mais vais ser tu a tocar-me.