Todas as histórias devem envelhecer…

Vais sumindo a cada dia que passa, e agora é isso que me incomoda.

Sempre disse que não queria ter de aprender a viver sem ti, mas infelizmente foi mesmo isso que tive de fazer.

E isso que eu disse, ainda hoje é válido, e talvez será sempre.

Enfraquece-me o facto de saber que te irei esquecer, e que hoje somos completos desconhecidos um para o outro, quando um dia fomos a mesma pessoa em dois corpos separados.

Ultrapassa-me não me atormentar o facto de teres outro alguém, e de nem me assombrar a ideia de te imaginar na cama dele… Mas porquê?

Porque é que a minha fobia se tornou indiferente?

Porque é que o meu pânico se tornou no meu conforto?

Não sei… mas também não preciso de saber.

Passei demasiado tempo a consumir-me com a ideia de que irias encontrar alguém melhor, alguém que te merecesse e fizesse feliz, o que certamente irá acontecer… mas e depois?

Não serei eu.

Com todos os meus defeitos, paranóias, vícios e tentações… mas não serei eu.

Mas diz “Ainda bem!”

Diz, estás à vontade.

Ainda bem, que não serei eu… Talvez o objectivo seja mesmo esse.

A vida é mesmo assim, pessoas vão e vêm, e só vamos conseguir tirar a prova dos nove quando um dia, de cabelos brancos, estivermos sentados em sofás individuais á frente de uma televisão cheia de pó.

Até lá, amor e a paixão serão sempre uma aventura com prazo limite.

Serão apenas pinturas, serão apenas desenhos que mais tarde ficam esquecidos no meio dum caderno ou livro antigo.

E eu tinha um nosso…

Mas esse desenho sumiu, e ficaram apenas os vincos dos traços carregados.

Para não dar oportunidade de um dia mais tarde querer refazê-lo, rasguei-o em pedaços milimétricos e queimei-os juntamente com todas as memórias que me sobraram.

E assim, num ápice, foi-se tudo o que não estava predestinado a ficar.

Todas as histórias devem envelhecer… mas a nossa faleceu.

PORRobin
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