Todas as coisas que você significou…

Ele era fogo e eu era qualquer coisa que atraía o fogo. Ele era uma correnteza de água e eu era tudo o que a água podia levar para longe. Ele era as quatro estações do ano desordenadas, inconsequentes. Ele era incapaz de seguir o roteiro, de planejar o seu tempo. E eu era tudo aquilo que melhor se adaptava.

Ele era a chuva toda a vez que a terra estava seca. Ele era o sol, toda a vez que a terra estava encharcada demais. Ele era o vento quando as coisas não fluíam, mais era a calmaria quando as coisas fluíam com muita intensidade.
Ele sabia melhor do que ninguém, o exato momento em que eu ia chorar. E ele estava sempre lá quando isso acontecia. Ele sabia antes de mim mesma, as coisas que me fariam sorrir.

Ele inventava piadas, inventava gestos, inventava a sorte. Inventava um mundo. Só para nós. Tudo em mim dependia dele. Não tinha graça, não tinha sorte, não tinha abraço, não tinha beijo, não tinha sorriso, se não tivesse ele.

Não existia eu, se não existisse ele.

Ele cantava pelos corredores, ele trazia alegria para todas as esquinas da casa. Para cada canto da minha vida. Ele cantava as notas erradas e invertia a ordem das palavras. Mal sabe que inverteu a minha vida e desorganizou tudo que eu sempre achei que estivesse organizado. Ele me fez amar a bagunça.

Ele tinha uma voz que soava de tantas e de diversas maneiras. Eu percebia a hora que ele entrava, mais já era diferente na hora que ele saia. Quando ele me deixava, tudo de repente ficava vazio mesmo estando em completo excesso.
Ele nunca era demais, mais também nunca foi pouco. Ele era a medida certa. Ele andava diferente, ele sorria diferente, ele amava diferente.

Ele era um anjo, mesmo quando eu não acreditava em anjos.

Ele acreditava e desacreditava no momento seguinte. Ele estava e as vezes não estava e raramente você saberia disso. Era fácil confundi-lo com a realidade.

O cheiro dele impregnava na cama, no lençol, no travesseiro. Impregnava na vida. Impossível você andar pelas ruas, distraída, com um fone no ouvido e não sentir ocasionalmente o cheiro dele.

Ninguém ia acreditar se eu dissesse que todas as músicas da minha playlist me lembravam dele. E eu meio que cantava baixinho, cantava pra ele.

Ele sorria, e DEUS, com aquele sorriso ele não precisava nem de olhos. Mais ele também chorava, ás vezes baixinho, as vezes berrava e eu nunca sabia o que fazer, então eu ficava ao lado dele e rezava para que aquilo fosse o suficiente.

Enquanto ele falava eu ia me perdendo nas frases, depois eu era incapaz de me concentrar nas palavras e perdia todo o contexto, porque ele era tão lindo, como o mundo não notava tudo aquilo? Secretamente eu agradeço por mais ninguém notar.

Mais eu gostava de ser o lugar para onde ele sempre voltava. Eu gostava de ser quem ele sempre contava. Eu gostava de quem eu era quando ele estava por perto. Eu gostava do mundo quando ele ainda fazia parte dele. Eu gostava da estrada quando ele sorria pra mim no banco do motorista com aquele olhar despreocupado.

PORRaquel Soares
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