Tivesse eu lido o futuro

Escrevo-te em jeito de despedida. Em recordação das memórias, que vão ser sempre lembradas por nós e pelo Destino que se encarregou que as vivêssemos.

Escrevo-te porque quero deixar-te uma parte de mim, por mais patéticas que possam vir a ser as minhas palavras mas, a intensidade tresloucado daquilo que passámos, compensa com a devida conta e medida.

Hoje passei pela tua rua. Não a rua de tua casa, mas a rua por onde eu passava sempre que me ia encontrar contigo. Aquelas pedras da calçada tinham sempre o mesmo destino, e continuam a ter, mas com uma diferença: tu não estás no fim da rua e muito menos à minha espera.

Hoje fui beber café, bebi café porque me lembra de ti, lembra-me de te ter nos meus braços, e o quanto isso era aconchegante.

Quando os meus lábios tocaram nesse mesmo café, lembrei-me que quero que sejas a pessoa mais feliz do Mundo, será que o café me transmite isso ou foste tu? Não sei, mas quando saboreei o café lembrei-me que foste a pior e a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos.  Não acredito que estejamos destinados a ter apenas um amor da nossa vida, que por vezes é tão grande. Mas quero que saibas. Quero que saibas que não faz mal chorar, que aquilo que vivemos deu-me para uma vida inteira de alegrias e sorrisos que durariam mil e uma noites. Pelo que sente-te à vontade para sorrires para mim, porque esteja onde eu estiver, sorrir-te-ei de volta.

Mas talvez seja a hora de deixar para trás o que não nos leva para a frente, ser um pouco como o tempo que só tem um único rumo ao qual não foge, uma estrada sem retorno, sem possibilidade de olhar para trás porque “para a frente é que é o caminho”. E talvez tenha de largar esta chávena de café. Perdi-me em ti. Mas sei que sempre que passar naquela rua, a memória será inevitável. Mas sempre que passar naquela rua, sei que estarei mais certa de quem sou e do que quero fazer. E tu não vais estar lá à minha espera. Tivesse eu lido o futuro.


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