Tenho-te no coração…

Foi bom enquanto durou, mas a realidade é que nada mais nos resta. Somos dois guerreiros exaustos por combater numa batalha sem vencedores. Eu amo-te e, por isso, desejo mais um beijo teu, pois a ideia de nunca mais te ver, nunca mais seres “meu”, está a matar-me por dentro, embora não percebas isso. Somos uma união inexplicável. Temos plena consciência que não dá mais, estamos exaustos, mas cada vez que nos vemos não conseguimos resistir a um abraço, um beijo (muitos na verdade).

Cada vez que nos separamos, questionamos se não deveríamos estar juntos, porque a dor é realmente grande e a verdade é que temos muitos momentos agradáveis também. Mas quando estamos juntos, algo falta. Não basta simplesmente amar. O amor é construído por várias pequenas coisas e acções. O amor tem de ser regado, para crescer cada dia mais forte. E eu não quero atirar as culpas para cima de ti, mas cada vez que voltavamos a estar juntos parecia que paravas de regar a relação. Como se pensasses que me tinhas na mão…garantida. E tiveste. Durante muito tempo acreditei que mudásses esse pormenor, quando deixei de acreditar nisso tentei mentalizar-me de que conseguiria viver com isso. Mas não. “Deixar de regar” é uma expressão extremamente complexa. Envolve deixar de reparar nas pequenas coisas que nos fazem felizes…todos os dias.

Ainda assim, acredita em mim, eu não me arrependo do tempo que estivemos juntos. Muito pelo contrário, eu sei que lutei. Arrepender-me-ia, sim, se não tentasse até ao fim. Foste um grande amor. Seremos certamente felizes um sem o outro, algures nesta vida, noutras circunstâncias, junto de outras pessoas. Eu acredito que sim, pois a vida não é só isto.

Quero pedir-te desculpa se alguma vez te falhei. Se alguma vez te sentiste menos amado. Porque, no fundo, eu não sinto somente amor por ti. Nós cuidámos um do outro durante bastante tempo, não irá ser de um dia para o outro que te irei esquecer. Quem sabe um dia nos voltemos a encontrar.

Não te esqueças de mim.