Tenha paciência comigo…

Eu só te peço um pouquinho de paciência. Eu estou cansada, tenho lutado incansavelmente com os meus sentimentos. Lutado comigo mesma. Eu já perdi a luta, voltei, ganhei e perdi novamente. Não necessariamente nessa ordem. Eu sou composta de confusão, cada parte de mim é bagunça, emaranhado de nós que nunca desataram. Sou desilusão. Eu estou constantemente desmoronando atrás de cada sorriso que ensaio no espelho rachado. É uma metáfora para o meu coração. Entre ser uma boa atriz ou a insensatez de um público medíocre, eu fico com a primeira opção.

Eu queria dizer que já superei amores passados, rejeições, pessoas ruins, mas a verdade é que elas acabaram comigo. Estou em processo de reconstrução. Lentamente estou tentando viver. Sou semelhante aos fones de ouvido quando saem da mochila, todos enrolados, confusos, perdidos. Leva tempo até estarem em perfeita ordem. Essa sou eu, aprendendo a andar novamente, segurando para não cair. Estou em missão.

Passei tanto tempo querendo sentir além da dor, que acabei por acostumar com ela. Aprendi a ficar sozinha. Uma dádiva. No meio do caos eis que surge você, com olhos gentis, feições tranquilas e um sorriso inocente. Não queria me consertar ou me transformar, só queria me aliviar, sorrir comigo. Te amei. Logo de cara mesmo. Me conquistou facilmente. Talvez eu me apegue fácil, talvez seja meu maior defeito. Talvez você fique, e terá valido a pena me arriscar.

Mexeu comigo, meus sentidos, mudou os meus planos , eu sorri porém corri nem sei para onde fui, se é que fui. Cheguei e você estava lá também, estava lá por mim. Me perseguiu sem eu merecer, ainda bem que o fez. Parece que nunca te vi, agora percebo que sempre esteve lá. Estou cansada de correr, quem dera eu tivesse acreditado quando você disse: “volta”. Não tem nada mais bonito do que o som da sua voz me dizendo “tenha fé em mim”.

Morri de amor e continuo vivendo. Esta é a beleza da vida. Ler mil vezes o mesmo livro e encontrar a cada página um novo detalhe, algo novo para admirar. É assim toda vez que eu olho para você.

Antes que eu me esqueça te amo, sempre amei. Desculpe só dizer agora. Sou covarde, tenho medo até da minha sombra. Quem foge do amor com medo que não dure? Quem foge da vida com medo da morte? Quem não se arrisca com medo do risco?

Andei em contradição. Descobri sobre mim, me amei. Mudei minha opinião e mudei de novo. A vida é muito curta para ter certeza de algo. Como seria se no último instante te decepcionassem? Teria valido a pena viver em prol daquilo?

Desculpe meus olhos fechados, minha mente voada, meu coração machucado. Eu senti também, difícil é eu demonstrar. Desculpe não te abraçar, ainda tenho medo, sou covarde. Minha maior qualidade é desacreditar da vida, tem vez que funciona, mas eu vivo quebrando a cara em cada esquina em que eu passo.

Parei de andar para ser admirada, parei de querer que me gostassem. Passei a gostar, passei a admirar para continuar andando. Me apaixonei por você. Pelo seu cabelo preto e seus olhos gentis. Não é o cabelo, nem os olhos em si, é tudo uma metáfora. É o que eles me causam. Me apaixonei pelo som da sua voz quando me chamou de “meu bem”. Não é a voz em si, nem o chamado, é a sinceridade imposta, concreta que não me deixou dúvidas.

Me apaixonei pelas batidas do seu coração. É o som que eu quero acordar ouvindo. Todo dia, se possível.

Andei por vários lugares, mas o melhor lugar que já estive foi nos seus braços. Conheci várias pessoas, mas a melhor de todas, de longe, foi você. Não quero nem calcular o quanto você vale.

Mas tenha paciência comigo. Eu erro a todo instante, erro de novo, insisto no erro. Desisto facilmente. Sorrio demais, sorrio de tudo, só para não chorar desconsolada. Para não pensar muito na vida. Tem remédio melhor que você?

Andei exposta a crueldade do mundo. Já fui vítima, culpada e mal amada. Amei demais e amei sozinha. Já vivi quase 100 anos em alguns meses. Parei de contar.

Tenha paciência comigo, acredite quando eu digo” vou ficar”. Fique quando eu te disser para ir, eu finjo independência mais por dentro eu sou um poço de carência. Só não quero admitir que desesperadamente eu preciso de você.

PORRaquel Soares
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