O tempo nunca o contei, é da intensidade que sinto falta!

O amor, a paixão não os meço pelo tempo que duram. Posso-me esquecer de contar os dias ou de datas importantes, mas nunca de momentos. Interesso-me somente pela intensidade do sentimento e a sua capacidade de me fazer renascer. Faço as minhas memórias de risos sem motivo ou abraços silenciosos; conversas de loucos ou sermões preocupados; de um “bom dia” atrasado ou uma “boa noite” cheia de saudade; de beijos quentes e corpos nus…

Não me importa se foram dias, semanas ou anos. Podiam até ter sido horas, embora não escondo que preferia ter vivido sempre nessa intensidade. Mas vivi e aproveitei o meu tempo, umas vezes curtos minutos, noutras horas efémeras. Fiz o que quis, dei-me pelo sentimento, perdi a razão… Tive medo, fiquei ansiosa, não recuei… Pior, envolvi-me ainda mais nessa loucura insana que é o amor.

Sim, existem sentimentos que nos dão vida, que fazem a vida… Sentimentos pelos quais arriscamos poder sofrer só pelo prazer de os viver agora; pois pior que uma lágrima da lembrança é o choro da oportunidade perdida. Sentimentos que nos dão a volta, que nos levantam ou nos deixam no chão numa questão de segundos, que mudam todos os nossos planos sem questionar e que derrubam os nossos fantasmas.

O amor não nasce com o tempo, só se sente no tempo. A paixão não pode viver no amanhã, só faz sentido no agora. Os sentimentos não obedecem a calendários ou a qualquer predisposição. Ou se sente ou não e, sobretudo, ou se tem coragem de assumir o que se quer ou se esconde atrás de desculpas. Eu quis, eu me dei… Eu calei palavras, mas demostrei em atos… Eu já lutei… Os sentimentos devem ser vividos no seu tempo, quando estão vivos, quando estão acordados… Tudo o que ainda não morreu pode ser reanimado, do resto não mais do que a memória da sua força deve caber dentro de cada um.

O tempo pode ser demasiadamente passageiro, mas a vida pode ser eternamente duradoura. Tudo depende da intensidade de como se vive e se ama.

Às vezes é simples assim: “Ontem” praticamente não o conhecemos, “hoje” entregamo-nos a essa paixão, “amanhã” só o queremos poder amar. E pode ser isto tantas vezes ou uma única…

PORAna Lobo
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