O tempo das bonecas já lá vai…

Onde é que eu tinha a cabeça quando dizia que queria crescer? Tinha apenas uns seis anos e já queria ser crescida, queria ser grande, queria puder sair à noite, queria puder ir passear com os meus amigos, queria sair de casa, queria apaixonar-me… Na verdade eu com seis anos queria tanta coisa, mal sabia eu que estava a viver a melhor altura da minha vida.

Já lá vai o tempo em que acordava as sete da manhã, não interessava se fosse sábado, férias ou feriado, para ir ver os desenhos animados. Hoje em dia o mais provável é deitar-me a essa hora e não levantar-me. Quando era pequena ia para o parque e ficava lá várias horas, a correr, a saltar, a andar de baloiço, a jogar as escondidas, e nem dava pelas horas passaram. Hoje em dia quase que não saiu de casa e sinceramente já não vejo as crianças naquele parque onde eu passava a minha infância.

Com os meus seis anos de idade eu andava de bicicleta até serem oito horas e eu ter que ir jantar, hoje em dia nem sei onde tenho a minha bicicleta guardava, provavelmente no fundo de uma cave qualquer na casa de campo dos meus avós. Era tão pequena, passava os dias a desenhar, a pintar, adorava isso, tinha tantos lápis de cor como quantos eram possíveis, tinha tantos livros para colorir que era difícil escolher um.

Quando era mais nova queria crescer, queria ser grande, adolescente, adulta… Queria ter dezasseis anos para puder ir sair à noite, para puder beber, para puder ir a festas quando quisesse, para puder decidir o que vestir, para puder ir à praia com os meus amigos, para puder apaixonar-me, para puder ir passear sozinha, para puder decidir por mim mesma. Queria tanto crescer que nem sabia que estava a viver a melhor idade da minha vida!

Eu era apenas uma miúda iludida, uma pequena miúda iludida, não tinha noção do que era ser “grande”, não tinha noção do que era crescer verdadeiramente. Pobre coitada de mim mesma que achava que ser crescida era a melhor coisa da vida e deixei passar a melhor altura da minha vida com esse pensamento.

Hoje em dia tenho saudades da altura das corridas do parque, dos jogos das escondidas, dos livros de colorir, das brincadeiras com as bonecas, das tardes a andar de bicicleta, tenho saudades dos meus seis anos de idade.