Eu te odeio! Mas eu te amo…

Lá na ponta… lá na beira do abismo em que se encontra a minha coragem em acreditar em contos de fadas, você vem me dizer que quer ficar e aceita todas as minhas peculiaridades. Justo agora, que eu estava pronta pra me destroçar em mil pedaços de desilusão e rancores: você vem e me faz acreditar que existe uma luz além da escuridão.

Eu te odeio.

Pois o mundo não é esta alegria sem fim que você faz questão de estampar nesse teu lindo riso, nem as estações são tão lindas como você diz que são. É tudo escuro e sem cor, como todos os amores que me deixaram à deriva de um rio de mágoas sem fim. Mas você aparece e se faz margem de esperança no meu rio de tristeza .

Pois tudo em mim apagou e ficou sem luz, então você se fez vela – acendeu o que fora apagado com água gelada.

Eu tentei me afastar e correr desse teu abraço que derrama lágrimas, do teu abraço que salva o dia.

Eu tentei correr do teu otimismo que faz meu coração saltar quando antes ele nem se mexia.

Eu tentei correr das tuas palavras e promessas, mas a minha alma clama por você e o infinito em teu olhar me fascina.

Eu te odeio, mas eu te amo!

Gostaria de te bater com toda minha raiva e depois curar todos os ferimentos com o meu remorso – com o meu amor. Eu quero te espancar com milhares de rosas e depois passar o resto dos meus dias removendo os espinhos do teu corpo.

São tantas garotas pra você por aí e você quer que eu acredite que sou eu que faço teus momentos serem eternos. Eu que faço tua poesia fazer sentido, eu que faço teus versos não terem fim. Pois diz que me aceita com todo o enigma que vive dentro de mim e de ponto final só quer no tempo – que o relógio pare no nosso primeiro beijo.

Eu te odeio por me fazer acreditar na princesa daquele filme, mas eu te amo por dizer que finais felizes não existem, mas que a gente não precisa ter um final. Que o durante vale mais que pensar no fim do rio. Sendo você a margem que me guia pra cachoeira da euforia, fugindo do abismo da ilusão.
Então por favor, não me mostre como são lindas as estações se não ficar pra dividir a bela paisagem que é! Pois eu te odeio, mas não consigo deixar de te amar…