Tarde Para Te Amar…

Vou amar-te quando deixares de me sorrir. Vou desejar-te quando não estiveres aqui.

Vou servir o café da manhã em duas canecas e dois pães esperando que estejas lá para me dar o beijinho matinal acompanhado de um “bom dia amor”. Vou preparar o lanche que tanto gostas naquela malinha azul que te ofereci pelos teus anos.

Sim, lembro-me sempre do teu aniversário, aliás, nunca esqueci! Sei bem que gostas que não te dêem os parabéns pela meia noite e que vais deitar-te antes disso e metes o telefone em silêncio para ninguém te incomodar. Preferes acordar cedo e ver com ansiedade todas as mensagens de felicitações.

Gostas de vestir aquela camisola vermelha que comprámos na viagem a Paris de lua-de-mel. Foi inesquecível! Fizemos nessa viagem todas as trocas e juras de uma vida repleta de sonhos. Apertava-te sempre a mão em dias de temporal e tu, como um cavalheiro, abraçavas-me junto ao teu peito e dizias “estou aqui”. Sentia-me segura, admito. E tu sabias.

Lembras-te quando me pediste que te preparasse a sobremesa que mais gostas? Semifrio de morango (nunca esqueci!). Chegaste a casa e eu ria sem mais parar. Foi um falhanço toda a minha tentativa de te surpreender. Ris-te comigo e fomos juntos jantar fora onde pudeste saborear o tão desejado semifrio.

Recordo como se fosse ontem…

Hoje vou tentar novamente. Vou conseguir e tu, tu vais dizer “eu sabia que não deixavas de me surpreender”.

Sempre me deste uma palavra amiga para que eu não perdesse a esperança de dar o passo certo. Sempre me apoiaste quando sabias que estava errada. Sempre me disseste “se é isso que queres, força.” mesmo quando sabias que eu estava a pôr os pés pelas mãos.

E hoje acordei com a maior vontade de cometer uma loucura. Acordei e na primeira palavra disse-te “Amo-te”. Nunca to tinha dito. Sabias que eu só o iria dizer quando me sentisse preparada para isso e terias de esperar o tempo que fosse preciso.

Sempre esperaste.

Sempre, menos hoje.