Tão certos num tempo tão errado…

Eles eram tão certos.
Eram incríveis juntos mesmo que não conseguissem estar fisicamente.
Eram apaixonados, vivos e impossíveis de quebrar.
Eram…

Eu lembro-me bem deles.
Já foi há muito tempo, eles estão bem longe mas ainda os vejo apaixonados.
Pelo quê?
Por eles?
Pela vida?
Pelo que seria o futuro?
Não sei… julgo que talvez fosse isso tudo junto numa mistura incrível de emoções que os faziam sentir-se inquebráveis.
E eram, porque era tão certos.
Demasiado certos.

Ela, eu sei, era apaixonada por ele.
Tão apaixonada.
Tão senhora do seu nariz e tão certa das suas respostas.
O coração dela acelerava…
Bastava uma mensagem, uma chamada, uma conversa…
Bastava que ele fosse o príncipe encantado que ele parecia ser.
Acredito que ele, de facto, fosse esse príncipe, naquela altura.
Ela viva com paixão e ele nem sonhava quanto a tinha transformado.

Mostrou-lhe que a vida ainda tinha cor, que podia ser pintada com tons bem mais vibrantes e que tudo era possível quando se gostava de alguém…
Ela estava tão perdida, no meio de uma escuridão, capaz de a levar para um enorme abismo, de onde nunca mais sairia…
Ela estava tão frágil e vulnerável que absorveu cada palavra dele.
Ela adormecia a falar com ele e adormecia sorrindo…
Ela acordava sempre com um brilho nos olhos com cada mensagem de “bom dia”, cada vez mais carinhosa que a anterior.
Ela adormecia sempre com a esperança de que um dia acordariam juntos, lado a lado, abraçados e envolvidos em toda a paixão sentida…
Ela sentia-se segura na ligação que tinha com ele.

No meio de tudo, estava ali, um rapaz incrível que era apenas tudo o que ela queria.
Ele era alto, educado, gentil, apaixonado, inteligente…
Ele puxava-a para a vida quando ela procurava arrastar-se para o fim…
Eu lembro-me deles…
Eram felizes.
Foram bem felizes e acredito que tentaram, em algum momento, desafiar a logística, de uma distancia que parecia impossível de quebrar…

Uma distância que ia conseguindo separá-los.
Conseguiu.
A dor dela foi bem mais complexa, do que perder um primeiro amor ou uma primeira paixão.
Ela não sabia o que era aquele sentimento, apenas sabia que até aquele momento, nunca sentira nada tão forte como por aquele rapaz.
A dor dela asfixiou-a durante um tempo, tentou prendê-la…
Ela não perdera apenas um namorado, uma paixão…
Ela perdera alguém que a salvou dela mesma.

Alguém que teve a coragem de pegar em todos os pedacinhos dela, por mais pequeninos que fossem e que teve a coragem de colar cada um, com a devida paciência.
Foi alguém que lhe mostrou que apesar de ela não ter esperança, existia vida e essa devia ser vivida da melhor forma e de uma maneira intensa.
Ele foi alguém que a salvou.
Ele não sonha em quantos momentos as chamadas dele foram, exactamente, no momento certo.
Ele nunca soube que por causa dele, ela conseguiu permanecer.
Ele apenas conseguiu ver a chama da paixão pela vida começar a aparecer…
Ele apenas sabe que a fez acreditar que valia a pena viver e que a vida tinha, realmente, cores intensas.
Ela nunca conseguiu acreditar “porquê ela?”
Ela nunca percebeu o quanto valia para ele se dar ao trabalho de gostar tanto dela.

Ela ainda hoje, se lembra dele, quando ouve duas músicas específicas…
Duas músicas que a levam para recordações bem distantes…
Eu sei…
Ela amou-o.
Por tudo o que ele representou.
Ela colocou-o num lugar tão especial no seu coração e inalcançável, porque de facto, ele foi muito mais do que apenas um rapaz que ela gostou e que gostou dela.

Foi alguém que a transformou.
Foi alguém que a salvou…
Eu lembro-me deles.
Eles podiam ter resultado para toda a vida…
Eu acredito.
Podiam, porque eram tão certos.
Foram certos.
E só não resultaram porque eram jovens demais…
Ah, mas eram tão certos…
Tão certos…
Mas história deles, sem culpa de ninguém, aconteceu no tempo errado.
Que pena…
Tão certos, num tempo tão errado.

PORPatricia Rebelo
Partilhar é cuidar!

RELACIONADOS




PELA WEB

Loading...