Também mereço ser feliz, desculpa.

É claro que senti saudades tuas. Sentia saudades tuas quando acordava e troquei muitas horas de sono por uma perseguição infernal ás tuas redes sociais, só para te ver e saber que estavas bem.

É claro que sentia amor enquanto chorava agarrada à almofada e procurava maneiras de te fazer voltar à minha vida. É claro que senti que ia morrer. E morri. Morri no dia em que me deixaste.

Não quiseste tentar nem mais uma vez. E eu só te pedi mais uma oportunidade para te mostrar que valia a pena. Sorriste e viraste as costas. Deixei-me cair, não tive forças para te seguir. Não me deste uma oportunidade de te abraçar só mais uma vez.

Deixaste-me presa num buraco do qual não conseguia sair, sabes? Éramos felizes, não éramos? Por favor, diz-me que sim.

É claro que a tua ausência me doía todos os dias, bloqueaste o meu número e pareceu-me que isso tinha sido o menor dos teus problemas. Como conseguiste seguir a tua vida se eu não conseguia sequer seguir a minha respiração? Chorava dia e noite, não comia nem saía. Vivia para ti (ainda). Vivi para ti e para as saudades que sentia, vivia para ti e para a dor que sentia. Vivia para ti, até perceber que as saudades não moviam a minha vida e a dor não podia ser o único sentimento que eu conhecia e do qual me alimentava.

Vivi para ti até que percebi que não havia ninguém a viver por mim.

Decidi ser feliz, e sou. Achas que não custou o percurso até aqui? Acredita que morri pelo menos dez vezes no caminho. Mas aprendi que o melhor da morte é renascer, e de todas as vidas que vivi tu és aquela de que mais me arrependo.
Não é errado morrer, foi errado morrer por ti.

A tua vida continuou e a minha também. Pára um pouco agora e reflecte, qual de nós se safou melhor? Baixaste a cabeça e desviaste o olhar, claro.

As saudades foram muitas, sabes? Mas percebi que não sentia saudades de ti, mas sim de mim! Por isso mudei a minha vida e deixei a dor de parte, fui à minha procura e quando me encontrei: foi o melhor momento de sempre. Também mereço ser feliz, desculpa!

De todas as vidas, escolho esta: sem ti, mas comigo!