Talvez um dia te lembres (…)

Porque eu tenho tanto para dizer, tanto para falar sobre nós que talvez nem todas as palavras deste mundo cheguem para descrever o que fomos e o que acabamos sendo. Cheguei a pensar que seria impossível ficarmos longe uma da outra. Cheguei a pensar que seria impossível o tempo afastar-nos, ou que outra pessoa nos separasse.

Mas a verdade é que tu deixaste que separa-se! Deixaste que esse amor sugasse a nossa amizade. E para falar a verdade, talvez o que tínhamos não tenha sido tão forte o quanto eu pensava. É doloroso demais pensar que nos perdemos no tempo. Tinha-te num lugar, porra, como nunca ninguém esteve.

Como pudeste ser tão cínica, tão egoísta a fazer as coisas de maneira como se não magoasses ninguém? Como podemos nós conhecer alguém à meia dúzia de dias e esquecer quem lá esteve quando mais ninguém estava? Trocar pessoas que seriam para sempre por um outro alguém que até poderá ser passageiro?

Não. Não me estou a precipitar. Estou a ser bastante sincera. Estou a pôr aqui as coisas como são e bem diretas. Porque a verdade é nua e crua. E dói. Enquanto o meu mundo desmoronou, estavas tu a viver a tua paixão e sem te preocupares com mais nada. Como se mais nada te ferisse. Acho isso bastante bonito. E sei como é estar apaixonada, a diferença é que nunca me esqueci de ti e do que éramos.

Nunca me esqueci do lugar que tinhas na minha vida e ia sempre contra quem te censurava por isto ou aquilo. E pelas mensagens a mais que mandavas quando eu estava com ele: “então que andas a fazer?”. E lá berrava ele comigo: “mas essa gaja tem que saber de tudo?”. Possa, eu batia o pé, eu gritava de volta com ele e dizia que sim, tinhas que saber, porque o meu segredo, era o teu segredo. E ele fazia aquele silêncio constrangedor, arrogante mas respeitava. Percebia o que ambas tínhamos.

E o que fizeste tu agora? Deitaste a nossa amizade a perder por um outro alguém que decidiu aparecer na tua vida. Esqueceste dos teus amigos, sim, porque não sou a única magoada. De facto, acho que não merecia o que me tens feito passar.

E o que mais me magoa e desilude é saber que gosto tanto de ti, irmã, e sentir-me tão magoada e tão desiludida contigo. Uma conversação nossa, lembraste do que me disseste? “Tenho-te como irmã e vou ter-te sempre”. Não! Tu não me tens como irmã senão, nunca me terias abandonado, como abandonaste, nunca te terias esquecido, como esqueceste e nunca me tiveste como eu te tinha na minha vida.

Todos temos direito a viver a paixão, o amor, mas podemos fazê-lo de maneira a não esquecer quem esteve presente quando essa pessoa não estava ainda sequer. Não troquemos pessoas de uma vida por outras que ficam 5 minutos. Não estou a exagerar.

Mas tu nada fizeste para melhorar as coisas, nem um esforço sequer. Nem um passo deste. E eu, nestes últimos tempos, dei o melhor de mim, finge que nada me afetava, que nada se passava, mas também tenho os meus limites, chega. Já me magoaste o suficiente, já brincaste o suficiente.

Agora resta-te lidares com o meu silêncio. E quando chega à noite, não choro mais por nós, porque eu sei que fiz e dei o melhor para nos mantermos sempre unidas, mas estou cansada de ir contra a maré sozinha. E de falar e falar e falar e tu, na tua ignorância, agires como se não magoasses ninguém. Lutei sozinha por algo que era nosso, das duas. E acabei por me cansar. Não tens perdão. E o que tenho para te oferecer neste presente, é o meu silêncio. Nada mais. Entende que ciúmes, não são. É magoa e desilusão. Jamais pensei que fosses capaz de algo assim. E talvez um dia te lembres, o que fui para ti, antes de ele ser o que é para ti.

PORSp
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