Somos Iguais…

Era um domingo como qualquer outro desde que foste embora, exceto que desta vez, eu não despertava sozinha. Ele estava ao meu lado quando acordei, os braços dele agarravam-me com força, como se ele temesse que eu por golpe do destino lhe fugisse. O seu corpo estava enrolado no meu. Beijou-me a face e acordou-me a cantar baixinho ao ouvido “tudo em mim, ama tudo em ti”.

Senti-me amada como não me sentia desde que foste embora. Finalmente acordava ao lado de alguém que me valorizava, que depois daquela noite não iria para casa e desligava o telemóvel só para ignorar tudo o que tivemos, como tu fazias quando a nossa pseudo-relaçaozinha existia, sim. Nunca passamos disso. Tentamos, mas tu eras pró no auto-controlo, gostava de ser como tu, juro.

Foi no momento em que os braços dele me apertaram ainda com mais força que eu percebi o quanto era sortuda por te-lo comigo e pensei que finalmente acordava e já te tinha esquecido. Mas tecnicamente ao pensar que te esqueci, estava a lembrar-me de ti.

Não se esquece o primeiro amor num piscar de olhos, bem, podes tentar se quiseres, eu confesso que tenho tentado todos os dias. Fecho os olhos por dois segundos e abro-os novamente na esperança de tudo o que vivemos juntos ter desaparecido, da mesma forma que tu desapareceste.

Não é tão simples assim, amor é amor. Não começa porque sim, não acaba porque sim. Amor nasce e morre. O amor não é como a tua série preferida, Prison Break, não vai durar algumas temporadas e acabar. Não é como aquela música que me dedicavas de 3 minutos. Não é como a roupa da coleção de verão que em Setembro entra em saldos e acaba.

O amor nasce nos pequenos detalhes, o meu amor por ti nasceu quando o teu sorriso cruzou o meu caminho a primeira vez. O teu amor por mim nasceu quando descobriste que eu não era só mais uma, que por detrás do big ass, do estilo e da loucura, havia uma mulher com objetivos de vida, havia uma mulher inteligente, com amor para dar. Havia a mulher que a tua mãe gostaria de ter como nora.

Mas o amor foi-se desgastando, sempre fui do tipo obsessiva, não por desconfiança, mas porque quem ama cuida e tudo o que eu queria era cuidar de ti, como uma mãe, acho que fui demasiado maternal quando te ligava para saber se tinhas chegado bem a casa ou quando te acordava de manha porque precisavas ir à aula de condução.

Até que o teu amor morreu, morreu e eu não sei porque, talvez pelo mesmo motivo que se foi desgastando, mas o meu amor continuo intacto e é isso que dói. Continuo a querer saber se chegaste bem a casa, se te moderaste na bebida, se tens estado calmo e não gastas um maço de tabaco em 45 minutos, continuo a importar-me contigo, mesmo que agora não te ligue, não te veja e finja que o sentimento em mim morreu também.

De qualquer das formas, hoje estou a acordar nos braços de outro e da mesma forma que eu merecia mais do que tu me davas, ele também merece mais do que o que eu lhe dou. Fiz-lhe a promessa de um para sempre que não posso cumprir porque não acredito mais nisso. Fiz-lhe a mesma promessa que tu me fizeste.

Ele merece melhor do que eu, e até tu mereces neste momento, mereces alguém que não deite com um homem a desejar deitar contigo. Isso não nos torna muito diferentes, aliás somos iguais, se tivéssemos nascido do mesmo ventre e fossemos gémeos, não seriamos tão parecidos. Somos as peças que se completam para terminar o puzzle, mas continuamos perdidos numa caixa qualquer.

PORLetícia Brito
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