Somos almas gémeas…

A chuva cai lá fora, o som ecoa cá no meu quarto, quarto este onde estivemos tantas vezes juntos, em dias de chuva, em dias de sol, em dias de amor.

Lembraste? Costumávamos passar os domingos chuvosos na cama, a ver um filme, com os nossos corpos colados, contigo a dar-me festas no cabelo. Foram muitas as vezes em que passamos as tardes assim, e à noite íamos buscar uma pizza para comer juntos no conforto da minha lareira, que também era tua. A nossa lareira. Costumávamos comer a pizza sentados no sofá, com aquela manta xadrez que nos fez companhia inúmeras vezes. Desde que me lembro sempre tive aquela manta, mas a partir do momento em que começaste a frequentar a minha casa, passou a ser tua. Agora, mesmo após o nosso fim, ela faz-me companhia em noites como a de hoje, porque ainda tem o teu cheiro, ainda tem o molde do teu corpo.

As paredes do meu quarto têm a mania de me fazer ouvir aquelas frases que tu tanto dizias. Gravaram a tua voz, e fazem-me ouvir-te enquanto tu estás noutro sítio qualquer, provavelmente sem recordar aquilo que passamos. “Fazes-me tão bem princesa”, dizias tu sempre que eu morria de riso após os teus ataques de cócegas.

É impossível esquecer tudo aquilo que passamos. Todos os dias quando acordo, a primeira coisa que faço é olhar ao meu redor, à procura dos teus olhos. Era tão bom quando tu eras a primeira coisa que eu via quando acordava… Trouxeste-me o juízo que eu estava a precisar, trouxeste-me calma nos dias de tempestade, trouxeste-me aquilo que eu nunca tive. Não sei, não sei mesmo como nos fomos perder.

Será que ainda te lembras de quando me mordias a língua, o pescoço, as bochechas? Será que ainda te lembras do quanto eu gostava daquela tua camisola cinzenta, do quanto eu gostava de a usar? Será que ainda te lembras do nosso primeiro beijo? De como a nossa história começou? Será que ainda te lembras daquelas promessas de que iríamos morar juntos, de que iríamos construir uma família?

Tenho de te confessar uma coisa… A partir do momento em que a nossa história terminou, desisti da ideia de casar, de ter filhos, porque isso não faz sentido com mais ninguém para além de ti. Eras o meu homem, e nunca ninguém te irá substituir. Um dia talvez consiga seguir com a minha vida, um dia talvez consiga ter uma outra relação, mas tu serás sempre tu.

Somos almas gémeas, ninguém duvida disso. O que nós tivemos foi perfeito demais para durar uma vida, mas será eterno nas nossas mentes. Nunca te esquecerei. Nem a ti, nem à tua família, nem à nossa relação, nem ao que construímos juntos, nem a todos os momentos, todos os sorrisos, todos os beijos, todos os abraços, todas as lágrimas, todas as discussões.

Seremos sempre um do outro, mesmo que o tempo nos leve para os braços de outras pessoas!

PORLeandra Silva
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