Só ama quem quer…

Há quem diga que o amor não se escolhe, apenas surge, sem explicação. Que é obra do destino. Que algumas pessoas foram destinadas a amar e outras a serem amadas. Qualquer coisa deste género. Nunca é só por acaso que duas pessoas se encontram no mesmo sitio, à mesma hora – foi o destino que os juntou.

Quando algo corre mal, a explicação é a mesma: o destino, sem que se possa dizer o que é. De uma forma ou de outra, a culpa não é nossa. Assim o quis, o destino – para isso o inventaram. Talvez eu esteja destinado a isto, a contrariar isto. Talvez algumas pessoas, como eu, estejam destinadas a não acreditar no destino – talvez. Não tenciono ofender quem acredita, também eu tenho as minhas crenças. É apenas uma abordagem sobre o amor, sobre quem amamos, e sobre as escolhas – boas ou más – que tomamos na vida.

É difícil de explicar: não se escolhe amar, escolhe-se não o fazer. Por outras palavras, só ama quem quer. As pessoas dizem que não escolhem quem amam, e no entanto sabem de cor a trajectória do amor, embora não saibam exactamente quando se apaixonaram. É isto que nos permite olhar para uma pessoa – quando a julgamos conhecer – e dizer: «És fácil de amar.». Não é porque o destino quer, é porque nos conhecemos minimamente, o que nos encanta, o que nos deslumbra. Deus não tem de querer. É preciso uma outra vontade, a irremediável coragem de amar.

A incerteza nasceu para todos, mas a escolha – essa – é nossa, não há destino que a roube, corações que a desfaçam.


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