Sinto saudade e tu não sabes…

Hoje senti saudade. Saudade de tudo. Saudade de mim. Saudade de ti. Saudade de nós.
Depois daquele último abraço naquela noite fria e chuvosa de Inverno, perdi-me e creio que nunca mais me encontrei.

Tenho saudade do “eu” que te amava incondicionalmente, que te fazia feliz, ao qual juraste amor para sempre, aquele “eu” que se sentia a rapariga mais feliz e realizada do mundo.

Hoje senti saudade de ti, do teu sorriso, do teu olhar, do teu toque, senti saudade do teu jeito de caminhar descontraído, do cheiro do teu corpo, da tua voz, de te ver chegar e beijar-me a testa, de te ver pegar o maço de tabaco e o copo da cerveja enquanto me olhavas de esguelha à espera que eu resmungasse. Senti saudade daquelas tardes aborrecidas em que partilhávamos chocolates e conversas idiotas.

Saudade de tudo em ti e sobre ti.

Hoje senti saudade dos nossos sonhos, do que planeámos para o nosso futuro, dos objetivos que traçámos e queríamos atingir, juntos.

As conversas, as brincadeiras, os olhares com segundas intenções, as zangas sem sentido, as palavras que atirávamos um ao outro como se fossem pedras, de cada vez que nos irritávamos por motivos insignificantes. Palavras que nos magoaram, não posso negar, mas todos os dias algo novo aprendíamos, crescíamos com os nossos erros e os nossos tropeços na grande estrada da vida.

Hoje precisava levar uma bofetada na cara talvez, precisava que me mandasses calar por falar em demasia e exagerar nos ciúmes, precisava ouvir-te dizer que sempre faço as escolhas erradas e a culpa é minha, e que não sei aproveitar as oportunidades que me são dadas.

Hoje eu precisava de tudo o que um dia me magoou, sim precisava, para me encontrar e para me fazer ver que estou viva, ainda.

Os teus defeitos, as tuas virtudes, as tuas escolhas, os teus erros, o teu jeito grosseiro de agir, a tua forma safada de falar, tu fazes-me falta, esse teu olhar de malandro, tudo isso fazia de ti a pessoa especial que eras e ainda és hoje para mim.

Hoje senti saudade de tudo, até dos momentos menos bons, porque no final de contas, tudo sempre acabava bem.

Tu fazias-me sorrir e viver, fazias-me crer que o dia de amanha chegaria mais luminoso, e mesmo quando falavas pouco, eu descansava porque os teus olhos, diziam as palavras que a tua boca não conseguia encontrar, fazias-me sonhar acordada.

Contigo ao meu lado tudo fazia sentido. Sem ti, eu sei, não tenho destino.

E esta é agora apenas mais uma carta que escrevo para falar da saudade que nunca saberás que sinto, porque sou demasiado orgulhosa para voltar atrás.

Foram tantas as despedidas, que agora nenhuma diferença faz.

Deixarei esta saudade perdida numa rede social na esperança de que por mero acaso do destino possas sentir tanta saudade como eu.

PORLetícia Brito
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