Será possível esconder um coração?

Esconder um coração é esconder a vida. Eu escondo o meu coração na vida, ou a vida no coração. Os anos passam e ainda não sei o que representas em mim, se a vida ou o coração.

Os meses passam e abraço-te por entre os sonhos que deixámos por concretizar nos dias onde o teu corpo não me chega e os meus dedos não te tocam. Estou preenchido de ti, cheio de nós e vazio deste futuro sem o teu jeito mimado na forma como beijas.

Não tenho saudades tuas nem tão pouco sinto a tua falta. Sinto sim saudades nossas. Sim, esse nós que conquistava mundos sem fim, dava a volta ao país com um bilhete de ida no bolso dos calções sem olhar para trás.

Dormia na praia para te ter mais do que podia. Calava-me para me apaixonar mais do que queria. O som do mar alienado ao teu riso no meu colo – o tempo perdeu-se no espaço entre a tua boca e a minha, na nossa figura desenhada na constelação que eu sei tão bem de cor – O som da tua gargalhada inspira-me a ser feliz.

A tua voz faz-me querer amar-te até ao fim de um beijo qualquer num tempo qualquer num sítio qualquer. Deve ser isto o sinónimo da impossibilidade possível, viver-te na escrita para não te amar em vida. Continuar a amar mesmo depois de amar.