Sempre fui apaixonado por mulheres…

Sempre fui muito apaixonado por mulheres – nunca duvidei disso. Sou entusiasta da beleza feminina e gosto dos seus adornos. Não tenho preferência por morenas ou por loiras, nem sei responder quando os meus amigos me perguntam «rabo ou mamas?». Gosto, essencialmente, de uma mulher que se interesse pelo mundo e pelo barulho dos pássaros. De alguém que saiba viver um dia de cada vez, sabendo o que quer no dia seguinte. De uma mulher que um dia me traga o pequeno-almoço e no outro me diga «não me apetece». Gosto de uma mulher que saiba a primeira lei de Newton e que me pergunte o que é a inércia. De alguém que me leia A menina do mar e me aborreça com a novela das nove. De uma mulher que me ajeite a gola da camisa e se atrase porque o eyeliner não está perfeito.

Gosto de alguém que num dia está a dizer «amanhã começo a dieta» e, no dia seguinte, está a comer crepes com nutella. De uma mulher que me chame para deitar-me ao lado dela e adormeça na espera. Gosto de uma mulher que comente outros homens, que lhes cobice o rabo e os braços, mas que não troque o meu abraço. De alguém que me recite poemas em francês e planeie um fim-de-semana no Gerês. Gosto de mulheres que sorriam, mas que não contenham as lágrimas. De alguém que saiba que o amor não está no coração, mas pare o carro para me dar a mão. Gosto de mulheres que se despem sem vergonha e confiantes. De alguém que troque as calças quando faltam dois minutos para o autocarro. Gosto das mulheres que não tenham medo de errar, mas que tenham o discernimento em tentar. De mulheres que digam «Eu amo-te» sem esperarem resposta. Gosto de alguém que fale sem papas na língua, mas que tenha tento na ponta dela. Gosto de mulheres que me aturem em livrarias e que, depois disso me digam «deixa-me ver os saldos… são cinco minutos.». Desde que me lembro, as mulheres sempre foram o meu ponto fraco. E, por consequência, o meu único ponto forte.

[ a todas as mulheres que fazem ou fizeram parte da minha vida e da minha pessoa, para o bem ou para o mal, pelo amor e pelo ódio, pelas lembranças e pelo rancor, pelos abraços e pelas palavras, pelas dores de cabeça e pela esperança, pelas expectativas e pela ruína delas, por hoje e por todo o sempre, obrigado pelo alento que me dão em estar vivo, ainda que, nesse intervalo, algumas delas, me desejem morto. ]