Sempre foste perfeito aos meus olhos, até ao dia em que decidiste não o ser mais.

No dia em que te foste embora chorei. Muito. Deixaste-me as chaves de casa e a certeza de que não servia, que era e sempre tinha sido a segunda escolha e um entretenimento enquanto esperavas por outra pessoa. Achei que eras o homem da minha vida mas eu não era nem nunca seria a mulher da tua. Nunca tinha estado assim, apaixonada, por ninguém, e achava que o ”para sempre” era uma coisa ridícula de se dizer, até to dizer a ti e fazer sentido na minha cabeça. Eu queria um ”para sempre” contigo.

Queria um para sempre de manhãs na cama, um para sempre de pores-do-sol e amanheceres, um para sempre de danças na rua, um para sempre de noites passadas a ver as estrelas, um para sempre de risos e litrosas e cigarros e de todas as coisas que ditas em voz alta podem não parecer comummente românticas mas que connosco o eram. Connosco tudo era romântico e perfeito. Tu eras perfeito. Mesmo quando te irritavas e gritavas, quando acordavas sonolento e mal-disposto, quando resmungavas porque tinhas fome, quando estavas enervado, chateado, triste… Sempre foste perfeito aos meus olhos, até ao dia em que decidiste não o ser mais. Esse dia não foi quando te foste embora, mas sim quando percebi, pela primeira vez, que eu valia mais sozinha do que ao lado de alguém que não dava valor ao espaço que (me) ocupava.

Apercebi-me que prefiro estar sozinha do que ter de me preocupar sobre onde ou com quem estarás quando me ignoras as chamadas. Ou sobre quais serão as verdades por detrás das mentiras que me contas. Prefiro estar sozinha do que sentir-me mal por olhares mais para outras mulheres do que para mim enquanto me dás a mão. Tu deverias ter olhado para mim sempre que pudeste, enquanto pudeste.

Agora percebo que foi para isso mesmo que serviste: para me dar valor a mim primeiro em vez de a outra pessoa. Eu, em primeiro lugar, deveria ter olhado mais para mim do que para ti a olhares para elas. No outro dia disseste-me que estava bonita perguntaste se estava com alguém. Não te respondi porque desde que te foste embora perdeste o direito de saber o que quer que fosse mas não, não estou com ninguém. Por enquanto tenho de aprender a viver só comigo. Mas no dia em que voltar a dormir com outra pessoa, será com alguém que se esquece que o mundo existe só por estar a olhar para mim.

PORJoana Santos
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