Se soubessem não ser racistas!

Começou por mero acaso, foi um amigo que nos apresentou e eu estive para nem ir até ao café naquela tarde. Não simpatizei logo com ele, pelo que nada fazia prever o que acabou por acontecer.

Uma tarde levou a outra e um sorriso originou outro.

Os meus pais avisaram-me e eu não quero saber.

Como eu desejava poder contar, como eu quero gritar ao mundo! Não vos passa pela cabeça, é quase loucura, a paixão, o amor que sinto por ele! Quero tanto poder sair com ele à rua sem pensar que alguém nos veja. Quero poder levá-lo lá a casa, para que o conheçam e para que percebam que a cor da pele não é mais do que um pormenor.

Mas eles não aceitam. Dizem-me que mereço melhor. Sabem lá eles do que falam! Se eu estou feliz e se ele me faz feliz, então, é ele o melhor. Os meus amigos aceitam, os amigos dele aceitam. Por que razão não podem os meus pais (e não só, também a minha família) aceitar a pessoa com quem estou, se no final tudo se resume a felicidade. A minha. E a dele.

Não são racistas “mas livra-te”, dizem-me eles. Então digam-me o que são, se essa pequena afirmação não está relacionada com ser-se racista. “Por mim, tudo bem, mas dentro da minha casa é que não”, racista? Claro que não… SIM, CLARO QUE SIM!

Quero fazê-los ver para lá das diferenças que nos tornam tão diferentes por fora, para que percebam que o que mais importa é a essência da pessoa. O meu pai nem sonha que eles têm uma imensidade de coisas em comum. E como se dariam bem…

Ah, mais dia menos dia, vou ter de os enfrentar. Sou eu quem vai ter uma conversa séria com eles. Para mim, é triste que ainda pensem como o fazem. Envergonha-me e revolta-me. Há tanto tempo juntos e ainda sem qualquer contacto com a minha família.

Vamos sair por cima, sei que sim. Um dia, irão compreender o quanto ele me faz feliz. Um dia… Em breve.


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