Se é amor, porque é que magoa?

Se é amor, um amor a sério, verdadeiro, perfeitamente imperfeito, selvagem, apaixonado, divertido, então porque é que magoa? Porque é que a rejeição dói, porque é que amar, amar, assim, aquele amor romântico, passional, que quase nos consome por inteiro como uma onda na praia, amor, que deveria ser o sentimento mais profundo, mais intenso de todos, magoa tanto?

Porque é que acordar de manhã depois de sonhar contigo dói tanto no meu peito como se fôssemos inimigos, em vez de um par de amantes que ainda não se apercebeu de tal?

Porque é que toda a gente fala em destino se, mesmo estando eu aqui, de braços abertos, a amar por nós dois, disposta a entregar-te o meu coração frágil, pisado pela vida, nós não ficamos juntos?

Porque é que passo os dias adormecida em ti e as noites acordada nas tuas palavras? Porque é que é raiva o que sinto, e não paixão, quando sei, de uma forma tão certa o quão tu e eu seríamos perfeitos um para o outro, e tu não percebes?

Porque é que amo sem saber muito bem como amar?

Porque é que, a cada momento, tudo o que quero é ter-te a ti? Porque sonho com passeios de carro com as janelas abertas, e o vento a revoltar-me as melenas do meu cabelo? Porque é que, cada vez que fecho os olhos, nos vejo a dividir um gelado num passeio a dois, junto ao rio, a aproveitar o ar da manhã para correr à beira mar, ou para dividir um sofá numa sessão de cinema caseira?

Porque quero tanto passar uma noite contigo, sabendo que não será a última, e acordar ao teu lado todos os dias, mesmo naqueles em que acordas às 5 da manhã despenteado, desejoso por café, com o sol ainda escondido e sonolento, e te arrastas da cama, maldisposto?

Porque é que me deixo magoar tantas vezes, se não é amor?

PORAna Laura
FONTEAna Laura
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