Saudades tuas…

Tenho saudades tuas, do que o amor nos oferecia nas noites frias. Tenho saudades dos teus beijos longos. Quero voltar contigo ao cimo da montanha gelada, fotografar-te nua, descoberta dos lençóis brancos. Tenho saudades do que os nossos olhares nos devolviam. Quero voltar ao lugar onde fomos felizes, onde a eternidade não nos chegava. Quero embrulhar-me no teu abraço e esquecer as horas. Quero levar-te comigo onde as paredes nos guardem as promessas.

Foste o amor da minha vida, disso não me restam dúvidas. Ficou tanto por amar. Tanto por viver. Tinha o mundo reservado em teu nome. Se eu pudesse, se ao menos conseguisse, repetia tudo de novo. Sabes lá tu o quanto me fazes falta. Nem imaginas. Às vezes, quando acordo, ainda sinto que a minha vida não tem propósito. Vivia para ti. Antes de tudo, antes de mim.

É estúpido dizer isto, mas sinto que ainda me pertences, mesmo que me pertenças nos braços de outra pessoa. É teimosia minha, persistir nisto, acreditar nisto, julgar que um dia o destino, essa coisa que eu tanto contrario, nos vai juntar. É, meu amor, só acreditamos em Deus quando nos convém, quando precisamos.

Fazes-me falta. Nem é perto de mim. Fazes-me falta porque me faz falta acreditar no amor. Depois de ti desacreditei. Só pude desacreditar. É o que acontece quando pomos tudo o que temos em tudo o que amamos, é o que acontece se falharmos, é que no final perdemos a esperança, por sabermos que demos tudo, faz parte da humanidade.

Tenho saudades tuas, de te dar tudo o que tinha para te dar, tudo o que te dei. Tenho saudades, porque sei: hoje, tenho mais para te dar. Tenho saudades porque dando tudo não se dá nem metade.

Todos julgamos ter amor para dar quando, afinal, a única coisa que temos em comum é a amargura do que não demos por amor.


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