Sabes… eu ‘habituo-te’!

Poderia dizer que te amo, mas sabes, não amo.

Eu ‘habituo-te’. Sim, é esse mesmo o termo para quem não brilha no olhar mas agradece em segredo a presença do outro ao seu lado.

Não me fazes estremecer as pernas, nem me dás arrepios, muito menos aceleras o meu coração. Ver-te nada mais me dá do que uma sensação fabulosa de tranquilidade. Chegou o meu pilar.

Não é contigo que imagino tardes fervorosas, nem escapadelas em hotéis, mas é em ti que penso quando chove lá fora e tudo o que quero é um aconchego, ou simplesmente quando não me apetece fazer o jantar e sei que certamente irás lembrar de ir buscar ‘duas caixinhas de sushi para levar por favor’.

Sempre fui fã daquelas histórias de amor proibidas. Em que a intensidade era levada ao limite, as pessoas amavam só porque sim. Só porque estava destinado ou porque o coração era mais forte que tudo o resto. Eu já amei assim. E percebi rapidamente que essas histórias, depois dos finais felizes, traziam consigo isto mesmo: o hábito. E aí as pessoas deixam de amar. Apenas se habituam. À rotina, aos problemas, ao tique nervoso, ao cheiro, à ajuda que dá termos um companheiro para a vida, alguém com quem dividir a loiça para lavar e as contas para pagar.

Portanto, eu ‘habituo-te’, mas, não menosprezes este sentimento, porque dificilmente te trocaria, ou me habituaria assim a outra pessoa qualquer. Dificilmente esqueceria os teus tipos de sorriso, ou o que te melhora a ressaca, ou simplesmente o teu prato favorito.

Apesar de seres confortável, continuo a agradecer todas as noites ter o teu peito para me deitar, e ter-te à espera quando chego a casa.

PORPatrícia Bello
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